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Acesse o Hotsite / Rádio - Omara Portuondo e Maria Bethânia
Omara Portuando e Maria Bethânia
O encontro de Omara e Bethânia talvez seja uma grande alegoria dos laços ancestrais e indissolúveis que ligam as aldeias de ambas: “um fenômeno desde as primeiras pesquisas chamou a atenção dos afro-americanistas, tanto na Bahia quanto em Cuba: os escravos negros identificaram os orixás africanos a certos santos e virgens católicas”, observa o antropólo francês Erwan Dianteill. A origem dos negros, iorubás, é a mesma. Enquanto por aqui a alcunha é candomblé, na pequena ilha caribenha é santería. Só muda o nome. As associações e configuração do culto são as mesmas. No plano econômico, o cultivo da cana-de-açúcar, através da monocultura no sistema plantation, se repetiu lá e cá.
O aspecto burocrático à la “cartilha de aula de história” do prólogo acima é apenas uma mera tentativa de buscar embasamento acadêmico para o fato de Omara e Bethânia serem irmãs. Afinal, são filhas do mesmo negro, que passou pelo mesmo processo de escravidão e que gerou música, embora díspar na forma, de complexidade muito similar. Juntas, promovem o reencontro do traçado evolutivo de dois povos siameses, que têm na música a manifestação mais contundente de autoconhecimento.
Em 2005, Omara veio cumprir uma agenda de shows no Brasil. Entrou em contato com Bethânia, pois queria conhecê-la. Não só se encontraram, como combinaram de fazer um disco juntas. Instantaneamente, surgiu um entendimento mútuo, pouco comum num primeiro encontro de pessoas que a princípio não se conhecem. Mas os tais laços ancestrais falaram mais alto. Poucos meses depois, em janeiro de 2007, Omara voltava ao Brasil para a gravação, no estúdio da Biscoito Fino, do disco que agora chega às lojas.
Embora tenham encomendado vasta pesquisa de repertório, sobretudo o cubano, as canções foram definidas no dia-a-dia das gravações, a partir da cumplicidade musical que se estabeleceu desde o primeiro momento. O restante são memórias, canções que de alguma forma traduzam o clima desse “reencontro” e estabeleçam paralelos nos cancioneiros de ambos os países. Afinal, trata-se de duas intérpretes que expressam com muita clareza, e sem concessões, suas referências mais primordiais.
Algumas faixas aparecem como dípticos, com uma canção cubana e outra brasileira sobre o mesmo tema. Nesse clima, o disco abre com duas cantigas de ninar, Lacho (Facundo Rivero e Juan Pablo Miranda), trazida por Omara, e Menino Grande (Antonio Maria), cantada por Bethânia. Introduzidas pelo Poema LXIV (Dulce María Loynaz), vêm as canções Palabras (Marta Valdés) e Palavras (Gonzaguinha). Na mesma perspectiva estão Caipira de Fato (Adaulto Santos), gravada por Inezita Barroso em 97, e a campesina cubana El Amor de Mi Bohío (Júlio Brito).
Juntas, Omara e Bethânia interpretam Tal Vez (de Juan Formell, diretor do lendário grupo de música bailable Van Van), em son, ritmo base da música cubana; Você (Heckel Tavares e Nair Mesquita),um dos momentos mais singelos do disco, lançada em 42 por Carmen Costa, e gravada posteriormente por nomes como Nara Leão e Fagner; a bucólica Só Vendo Que beleza- Marambaia ( Rubens Campos e Henricão), numa versão que vai do samba à salsa, com direito a uma deliciosa levada rap de Omara; e Para Cantarle a Mi Amor (Orlando de La Rosa), do repertório da cantora cubana Esther Borja.
Completam a seleção os solos de Omara - Nana para um Suspiro (do contemporâneo Pedro Luis Ferrer), originalmente uma nueva prueba, que aqui ganha contornos de samba-bossa (com referência jobiniana), e Mil Congojas (Juan Pablo Miranda); e Bethânia, com Arrependimento (Dolores Duran e Fernando César), extraída do repertório de Dircinha Baptista.
Jaime Alem e Swami Jr., maestros respectivamente de Bethânia e Omara, assinam a produção musical de um disco essencialmente acústico, de sonoridade encorpada, em que cada instrumento é explorado ao máximo, desaguando num híbrido sonoro mezzo cubano, mezzo brasileiro.
Omara Portuondo e Maria Bethânia é um trabalho que traz à tona um reencontro – pois o encontro cabe à ancestralidade- permeado pela troca de lembranças e impressões de um mundo comum. Carregam em si uma interpretação do universo à volta preenchido de memória e referência, que perpassa a nítida idéia de que aquilo tudo que fazem em seu ofício tem um fim concreto, além do simples e abstrato ato de cantar. Cantam todo brasileiro, todo cubano, cada brasileiro, cada cubano, e no fim tem-se a impressão de que todos eles convergem, são um monolítico. Aí está aquele negro lá de cima que não deixa mentir. A força do canto de ambas, que já atravessa décadas, remete diretamente à história das milenares monarcas africanas, conhecidas como candaces, uma linhagem de mulheres negras cujo legado de lutas e conquistas atravessou o tempo e a distância. Nada mais apropriado.
Sidimir Sanches
Omara Portuondo e Bethânia chega às lojas em dois formatos: cd e kit cd+ dvd documentário das gravações do disco, no estúdio da Biscoito Fino.
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Faixas |
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| 01 |
Lacho (Facundo Rivero e Juan Pablo Miranda)
compre em mp3
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3m08s
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| 02 |
Menino Grande (Antonio Maria)
compre em mp3
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3m16s
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| 03 |
Nana para un suspiro (Pedro Luis Ferrer)
compre em mp3
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4m13s
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| 04 |
Poema LXIV (Dulce María Loynaz), Palabras (Marta Valdes), Palavras (Gonzaguinha)
compre em mp3
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4m00s
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| 05 |
Talvez (Juan Formell)
compre em mp3
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3m31s
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| 06 |
Você (Hekel Tavares e Nair Mesquita)
compre em mp3
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4m13s
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| 07 |
Arrependimento (Dolores Duran e Fernando Cesar)
compre em mp3
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3m15s
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| 08 |
Mil Congojas (Juan Pablo Miranda)
compre em mp3
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3m13s
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| 09 |
Só vendo que beleza (Rubens Campos e Henricão)
compre em mp3
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2m26s
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| 10 |
Para cantarle a mi amor (Orlando De La Rosa)
compre em mp3
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5m48s
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| 11 |
Caipira de fato (Adauto Santos), El amor de mi Bohio (Júlio Brito)
compre em mp3
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4m24s
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Clipe Omara Portuondo e Maria Bethânia |
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Ficha Técnica |
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UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO
Direção Geral: Kati Almeida Braga
Direção Artística: Olivia Hime
Estúdio de Gravação e Mixagem: Biscoito Fino
Estúdio de Masterização: Visom
Engenheiro de Gravação: Gabriel Pinheiro Assistente de Gravação: Fernando Prado
Engenheiro de Mixagem: Moogie Canazio Assitente de Mixagem: Fernando Prado
Gerência de Produção: Pedro Seiler
Assistente de Produção: Renata Mader e Sylvia Medeiros
Projeto Gráfico: Gringo Cardia
Designer Assistente: Carolina Vaz
Fotos: Leonardo Aversa
Direção e imagens: Bruno Natal
Edição: Rafael Mellin e Daniel Ferro
Produção Executiva: Pedro Seiler
Finalização de Áudio: Lontra Music
Produção: Videograma
Finalização: Mellin Videos
Legendas: português, inglês e espanhol
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