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Casuarina - 18 Anos Ao Vivo
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Casuarina - 18 Anos Ao Vivo

Marca: CasuarinaModelo:18 Anos Ao Vivo Lançado em: 27/03/2020


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DESCRIÇÃO

 

CASUARINA 18 ANOS - AO VIVO

Por Renato Terra

Nos anos 2000, a Lapa abrigou uma geração que renovou a música brasileira.

          A sofisticação do samba tradicional com harmonias trabalhadas em violões, cavaquinhos e bandolins. Os casarões centenários que conectaram os jovens com a atmosfera do Rio Antigo. A batucada que ora namora com a gafieira, ora com o candomblé. A cerveja servida no copo americano. A pesquisa e resgate de autores pré-Bossa Nova. Os sambas que não tocavam nas rádios começaram a ser cantados, em coro, em animadas rodas. Tudo isso gerou um novo caldo, um novo estado de espírito.

          A partir daí, o chão e o som da Lapa passaram a reverberar numa frequência nova.

          Há 18 anos, nessa Lapa, o Casuarina vocalizou esse estado de espírito. E agregou um diferencial: a competência e o carisma para atingir um público mais abrangente. Em poucos anos, fez da Fundição Progresso a sua casa. Manteve lotado um dos maiores espaços da Lapa. Em 2012, reuniu uma multidão, ao ar livre, diante dos Arcos da Lapa para a gravação do DVD "Casuarina – 10 Anos de Lapa".

          Foram, até aqui, oito discos, dois DVDs e uma série de turnês pelo Brasil e pelo mundo. O grupo também ganhou prêmios importantes, como o de "Melhor Grupo de Samba" no 28º Prêmio da Música Brasileira em 2017. O sucesso do Casuarina lembra a famosa frase de Tolstoi: "Se queres ser universal, canta a tua aldeia."

          Essa trajetória, essa aldeia, estão impressos em “Casuarina 18 anos - ao vivo”. O grupo escolheu o Centro Cultural Carioca, onde foi residente por anos, para a gravação. Próximo à Lapa, o CCC é um dos principais casarões centenários do Rio Antigo. 

          Estão ali os sambas preciosos garimpados para os primeiros discos. Alguns foram vestidos com arranjos tão marcantes que passaram a ser reconhecidos como “sambas do Casuarina”. É o caso de “Jornal da Morte”, do compositor e jornalista Miguel Gustavo e “É isso Aí”, do genial e esquecido Sidney Miller. As harmonias e os arranjos do competente trio de cordas formado por Daniel Montes (violão de 7 cordas), João Fernando (bandolim) e Rafael Freire (cavaquinho) se tornaram uma das marcas do Casuarina.

          Gabriel Azevedo (pandeiro e voz) canta com segurança em todas as faixas, com especial destaque em “Disritmia”, de Martinho da Vila. O balanço saboroso entre a voz potente e o trio de instrumentistas fica nítido no arranjo de “Canto de Ossanha”, um dos afro-sambas de Vinícius de Moraes e Baden Powell.

          O clima dançante de gafieira está em “Falso Moralista”, do quase centenário Nelson Sargento. De quebra, a música soa como um comentário sarcástico ao Brasil de 2020. A única música ainda não gravada pelo grupo é o samba-canção “Meu apelo”, de Wilson Moreira. Uma homenagem ao mestre, referência maior do Casuarina, que morreu em 2018.

          Com o passar dos anos, e com o amadurecimento da geração de músicos da Lapa, começaram a aparecer novos compositores. E o Casuarina brilhou com “Certidão”. João Cavalcanti, que saiu do grupo em 2017, assinou essa canção com João Fernando. O grupo agora registra sua certidão na voz de Gabriel Azevedo.

          As músicas garimpadas da nova geração de compositores soam como clássicos. Basta ouvir os versos “Cansei de procurar em outras bocas / O gosto desse beijo que não sai de mim”, que abrem a música “Um samba de saudade”, de Chico Alves e Toninho Geraes.

          A batucada que ora namora com a gafieira em “Falso Moralista”, se firma no candomblé em “Falangeiro de Ogum” (Leandro Fregonesi / Raul DiCaprio) e “Embira” (Cadé / Raul DiCaprio).

          Mais do que gravações com arranjos impecáveis, “Casuarina 18 anos - ao vivo” reverbera os sons e o chão da Lapa. Cada música te leva pra atmosfera do Centro Cultural Carioca, do Arco da Velha, Semente, Carioca da Gema, Clube dos Democráticos. Mesmo que você nunca tenha escutado um samba nesses lugares.

 

Renato Terra é roteirista do Conversa com Bial, colunista da Folha de S.Paulo e documentarista. Dirigiu os filmes 'Uma Noite em 67', 'Fla x Flu - 40 Minutos Antes do Nada', 'Eu sou Carlos Imperial' e 'Narciso em Férias', sobre a prisão de Caetano Veloso em 1968, que estreia em 2020.

 

FAIXAS
 
01. CANTO DE OSSANHA
Intérprete: Casuarina
Autoria: Baden Powell / Vinicius de Moraes
Editora: Tonga (Universal MGB)
02. FALSO MORALISTA
Intérprete: Casuarina
Autoria: Nelson Sargento
Editora: Warner Chappell
03. EMBIRA
Intérprete: Casuarina
Autoria: Raul Dicaprio / Cadê
Editora: Cedro Rosa / Direto
04. DISRITMIA
Intérprete: Casuarina
Autoria: Martinho da Vila
Editora: Universal MGB
05. CERTIDÃO
Intérprete: Casuarina
Autoria: João Cavalcanti / João Fernando
Editora: Humaitá
06. FALANGEIRO DE OGUM
Intérprete: Casuarina
Autoria: Raul Dicaprio / Leandro Fregonesi
Editora: Direto / FRG Cultural (Som Livre Edições Musicais)
07. JORNAL DA MORTE
Intérprete: Casuarina
Autoria: Miguel Gustavo
Editora: Fermata do Brasil
08. UM SAMBA DE SAUDADE
Intérprete: Casuarina
Autoria: Toninho Geraes / Chico Alves
Editora: Sony/ATV
09. É ISSO AÍ
Intérprete: Casuarina
Autoria: Sidney Miller
Editora: Warner/Chappell
10. MEU APELO
Intérprete: Casuarina
Autoria: Wilson Moreira
Editora: Sony/ATV
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