Biscoito Fino
Institucional

A idéia de criar a gravadora Biscoito Fino surgiu com o projeto "ComPasso, Samba e Choro", desenvolvido por Olivia Hime no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a convite de Kati de Almeida Braga. Entusiasmadas com aquela série de shows, com músicos do calibre de Guinga, Cristina Buarque, Yamandu Costa, Miúcha, Francis Hime, Zezé Gonzaga e tantos outros, decidiram gravar os CDs dos espetáculos. Ainda mais entusiasmadas, não se contentaram com apenas os CDs e partiram para uma gravadora independente, orgulhosamente alheias às tendências do mercado. Gerando conteúdo, editando músicas de antigos e novos compositores, gravando e distribuindo CDs.

A Biscoito Fino, com estúdio próprio e equipamentos à disposição dos artistas, não quer, para parafrasear Noel Rosa, abafar ninguém, só quer mostrar que faz a melhor música popular brasileira também.

Desde que o escritor Oswald de Andrade criou a expressão "biscoito fino", ela virou sinônimo de algo selecionado, de qualidade. Como resposta aos comentários de que não era entendido pelo homem de rua, vociferou Oswald, "a massa ainda comerá do biscoito fino que eu fabrico" - profecia relembrada, 60 anos depois, por outro poeta e escritor, Geraldinho Carneiro, que ao saber que as amigas Kati e Olivia pretendiam criar uma gravadora comprometida com o supra-sumo da música brasileira, exclamou: "Mas o que vocês vão fazer é biscoito fino!". E o batismo estava feito.

Dez anos depois do primeiro CD, a Biscoito Fino já contabiliza cerca de 800 lançamentos, entre CDs, DVDs e Blu Rays. Nem todos de música popular, pois nada ortodoxa ela é. Um de seus primeiros lançamentos reuniu obras do compositor erudito Cláudio Santoro. A flexibilidade da Biscoito Fino também deu espaço para CDs com música instrumental, como Meus Caros Pianistas, de Francis Hime, Homenagem a Luiz Eça, do mestre francês Michel Legrand e o primeiro CD do grupo de choro Tira Poeira.

Olivia Hime, diretora musical da gravadora, considera que uma de suas funções primordiais, mais do que procurar talentos, é a de selecionar afinidades entre a Biscoito Fino e os artistas. Até porque, ela admite, os talentos no Brasil brotam com tanta facilidade que seria preciso ter três gravadoras para gravar tudo. Entre um artista com bom potencial de vendas mas que não tenha nada a ver com o que imagina ser a genuína música brasileira e outro, menos comercializável, mas com uma obra mais consistente, ela nem pensa duas vezes: o segundo é que é biscoito fino. Alguns exemplos: Luciana Souza, cantora, compositora e instrumentista radicada nos Estados Unidos; Maria Bethânia sempre, Olivia Byington regravando as Canções do Amor Demais, de Tom e Vinicius, e também a homenagem da própria Olivia a Dorival Caymmi em seu CD, Mar de Algodão.

"A função da Biscoito Fino" – diz Olivia – "é abrir espaço para esta riqueza musical brasileira. Se o mundo inteiro está consumindo música brasileira e ela é nossa matéria-prima, porque não consumí-la aqui também?" E a Biscoito pôs a mão na massa lançando composições de Sérgio Santos, Joyce, Chico Buarque, Edu Lobo e gravando com cantores como Monica Salmaso, Bibi Ferreira, Simone e Zé Renato.

Não satisfeita em lançar e relançar CDs de qualidade, a Biscoito Fino ampliou seu compromisso com o vasto patrimônio musical brasileiro, recuperando desconhecidas relíquias do choro, juntamente com a Acari Records, e perfilhando o projeto Centro Petrobras de Referência da Música Brasileira. Parceria com o Instituto Moreira Salles, patrocinada pela Petrobras, este projeto é o maior acervo reunido no Brasil de fonogramas da era mecânica e das primeiras gravações elétricas. Um acervo à disposição do público também interessado na preservação de nossa memória musical.

Em 2002, a Biscoito Fino contratou Maria Bethânia e lançou em outubro daquele ano Maricotinha ao Vivo, o CD que relembra os 35 anos de carreira de uma das maiores intérpretes da música popular brasileira. De Maria Bethânia, a Biscoito Fino tem ainda em seu catálogo o DVD de Maricotinha Ao Vivo, o CD Cânticos Preces Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu, Que Falta Você me Faz - uma homenagem a Vinicius de Moraes, o DVD Tempo, Tempo, Tempo, Tempo, oCD Mar de Sophia, CD e DVD Dentro do Mar tem Rio e o CD Tua.

Em 2005, quando a BF completou seu quarto aniversário, superou a incrível marca de 150 títulos em seu catálogo, entre CDs, DVDs e coleções exclusivos da Biscoito ou em parcerias com os selos ligados à gravadora: Quelé (uma parceria entre BF e Acari Records), Jobim Biscoito Fino (que em 2004 lançou o inédito CD Antonio Carlos Jobim em Minas ao vivo Piano e Voz e o DVD Antonio Brasileiro, Biscoitinho (o selo de música infantil da Biscoito Fino), Biscoito Clássico (de música erudita) e o Quitanda (parceria de Maria Bethânia com Kati Almeida Braga, responsável por lançamentos como Brasileirinho, Pirata eEncanteria, de Bethânia). O mais novo filhote é o selo Biscoito Internacional, criado em 2009, com o lançamento do CD duplo dos pianistas de jazz de Tommy Flanagan e Hank Jones, gravado ao vivo em 1993.

Em 2006, entre outros, lançamos o primeiro disco de inéditas de Chico Buarque em sete anos e aindaForró pras Crianças, DVD Ensaio Nara Leão, CD Duetos Biscoito Fino e muito mais... As novidades continuaram em 2007, com Luiz Melodia, Elza Soares, Don Salvador, Olívia Byington, Leila Pinheiro e a dupla Paulo Moura e João Donato.

Simone chegou à BF em 2008, no CD e DVD Amigo é Casa, em parceria com Zélia Duncan. Neste mesmo ano a gravadora recebeu também Carlos Lyra, Sérgio Ricardo, Virginia Rodrigues, João Nabuco e Áurea Martins, entre outros. No ano que termina, lançamos Moacyr Luz, Scott Feiner, Armandinho, Sivuca, Paulo Vanzolini, Jane Duboc, CD inédito de Simone, Elba Ramalho, Baden no Teatro Santa Rosa,Roberto Fonseca e muito mais.

Em 2010, novos nomes do cenário da MPB renovaram o elenco estelar da Biscoito Fino, que contou ainda com o reforço de um medalhão de Djavan. Naquele ano, Djavan lançou o seu primeiro projeto de intérprete, Ária, que em breve se tranforma em DVD. Zélia Duncan lançou seu primeiro solo na Biscoito um ano depois, em 2011, o projeto que comemora seus 30 anos de carreira (CD,DVD.Blu Ray). Da nova geração, chegaram talentos de vários matizes e sonoridades: Maíra Freiras, Max Viana, Roberta Nistra e Moyseis Marques, os mais novos frequentadores do casarão do Humaitá.

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BIOGRAFIAS

Kati de Almeida Braga:

Maria do Carmo Nabuco de Almeida Braga iniciou a vida profissional, ainda na adolescência, como produtora de teatro e funcionária do Serviço Nacional de Teatro. Em 1975, abriu o SNT em São Paulo, do qual foi diretora durante três anos. Formou-se em História.

Em 1978, passou a cuidar da área de treinamento da empresa de seu pai, a Atlântica Boa Vista Seguros. Em 1981, voltou ao Rio para assumir a diretoria administrativa da mesma. Em 1983, com a venda da empresa para o Bradesco, assumiu a vice-presidência de planejamento e controle da Bradesco Seguros.

Em 1986 criou com os irmãos a Icatu, que se dividiria em vários campos de atuação: seguradora (em 88), real state, banco, agência de publicidade DM9 (em 89, com Nizan Guanaes e outros sócios) e a produtora Conspiração Filmes (em 92, com Andrucha Waddington, Breno Silveira, Cláudio Torres, Lula Buarque de Hollanda e José Henrique Fonseca).

Em 2001 cria, em parceria com Olivia Hime, a Biscoito Fino. Em sua atuação na direção geral da gravadora, alcançou reconhecimento pelo investimento na música brasileira que foge aos moldes meramente comerciais. Em 2007, a gravadora, a maior do país no que tange à música brasileira, esteve presente nas principais premiações de crítica especializada, no Brasil e no exterior. Destaque para o Prêmio Faz Diferença, do jornal o Globo, concedido à Kati e Olivia na categoria música.

Atualmente, o Grupo Icatu é composto pela Icatu Holding S/A e suas investidas, tais como, Icatu Hartford Seguros, ABC (composta pelas agências DM9, MPM, África e Loducca), Conspiração (produtora) e DTVM. Kati de Almeida Braga é presidente dos conselhos das agências (em sistema de rodízio), da seguradora e da produtora."


Olivia Hime:

As mais remotas lembranças musicais de Olivia Hime são as óperas que os pais colocavam nas viagens para a região serrana fluminense. No carro, a pequena Olivia ouvia a tudo atenta, no colo de sua mãe. A família sempre foi extremamente musical, apesar de não haver músicos profissionais. Aos cinco anos, foi levada pelo pai à Rádio Nacional. Sentada no chão, ouvia um homem com um acordeon cantando "Eu tenho uma mula preta de sete palmo de altura". Era Luiz Gonzaga, e o primeiro contato efetivo de Olivia com um artista no palco. Ficou tão encantada com tudo que vira e ouvira, que pediu um acordeon de presente ao pai, e começou a estudá-lo.

Aos dez anos, numa viagem a Portugal, conheceu Dorival Caymmi e Amália Rodrigues. Outro encantamento, e na volta, trocou o acordeon pelo violão, quando começou a tirar de ouvido canções da embrionária bossa nova. Aos 12, foi apresentada a pessoas ligadas ao movimento, incluindo Roberto Menescal, que se tornou seu professor de violão. Na sequência, começou a estudar flauta, piano e teoria musical, os dois últimos com o mestre Moacir Santos.

Na adolescência, suas grandes paixões eram a música e os cavalos, elementos que remetem à beleza e à liberdade. Aos 19, conheceu Francis Hime, pertencente à segunda geração da bossa nova. Casaram-se e tornaram-se parceiros. Muitas das pérolas do cancioneiro do maestro ganharam letras de Olivia.

Em 1977, produziu Passaredo, de Francis, dando o ponta pé inicial em outra vertente que viria a desenvolver a partir de então, a de produtora artística. Lançou seu primeiro LP, como cantora, Olivia Hime, em 1981, revelando-se como intérprete e autora. O disco inclui cinco canções de sua autoria em parceria com Francis Hime. Seu segundo trabalho foi Segredo do meu coração (1982), em que voltou a compor com o marido. Máscara foi lançado em 1983, com direito a show-teatro em que contracenava com o ator Breno Moroni. Dois anos depois lançou Fio da Meada. Entre discos de carreira, produziu, em parceria com Elisa Byington, a bela homenagem ao poeta português Fernando Pessoa no LP A música em Pessoa (1985), relançado posteriormente em CD pela Biscoito Fino.

O álbum Estrela da Vida Inteira (1987) marcou o início de uma série de trabalhos temáticos, homenagens que a artista faria a referências primordiais da cultura brasileira. Neste disco, Olivia convidou nomes como Tom Jobim e Dorival Caymmi para musicar os poemas de Manuel Bandeira. Este trabalho ainda rendeu um espetáculo teatral com Olivia e o ator Ítalo Rossi. Em 1997, lançou Alta madrugada, também reeditado pela Biscoito Fino. Em Serenata de uma mulher - Olivia Hime canta Chiquinha Gonzaga (1998), uma das precursoras do chorinho no fim do século XIX. Em 2002, lançou o CD Mar de algodão, uma homenagem ao compositor baiano Dorival Caymmi, que se tornou também DVD.

Canção Transparente, de 2004, confirmou o talento da artista para a composição. Olivia assina todas as músicas do álbum (que teve a canção-título indicada ao Grammy), letrando as composições de Francis Hime, Maurício Carrilho e Sérgio Santos. Palavras de Guerra, seu último disco, lançado em 2006, é inteiramente dedicado à obra poética de Ruy Guerra, com músicas de Edu Lobo, Chico Buarque, Carlos Lyra, Sérgio Ricardo e Francis Hime. O cd originou o show homônimo, de densa carga teatral (marcações, luz, direção e roteiro de teatro), dirigido por Flávio Marinho e Francis Hime, e cujo registro resultou no DVD Palavras de Guerra Ao Vivo.

Em sua atuação na direção artística da Biscoito Fino, alcançou reconhecimento pelo investimento na música brasileira que foge aos moldes meramente comerciais. A gravadora está sempre presente nas principais premiações de crítica especializada, no Brasil e no exterior.



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