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Apresentação |
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Intérprete apurado do samba carioca de variadas épocas e estilos, o carioca Marcos Sacramento reafirma sua preferência - com habilidade - pelo gênero em seu novo disco, Memorável samba, pela Biscoito Fino. Trata-se do segundo álbum de Sacramento pela gravadora, por onde lançou em 2002 Saravá Baden Powell, em dupla com a cantora Clara Sandroni. O título do novo disco dá a idéia precisa do conceito proposto por Sacramento. São 13 sambas, todos de fato memoráveis, criados entre as décadas de 30 e 50. A expressão “Memorável samba” foi tirada de Meu Romance, composto por J. Cascata, em 1938, em saudação à Mangueira, sua jaqueira e suas pastoras: “Na tarde daquele memorável samba / eu me lembro, tu estavas de sandália / com teu vestido de malha / no meio daqueles bambas”. Sacramento é acompanhado por Luis Flavio Alcofra (violão) e Jaime Vignoli (cavaquinho), junto com os percussionistas João Hermeto, Marcelinho Moreira e Netinho.
De 1938 são ainda Deixa Falar, de Nelson Petersen; Meu Rádio e meu Mulato, de Herivelto Martins; e Errei... Erramos, de Ataulfo Alves. Deixa Falar, gravada originalmente por Carmem Miranda, foi uma espécie de hino brasileiro para a Copa do Mundo daquele ano, realizada na França. A letra menciona os grandes clubes de então: Flamengo, Fluminense, Botafogo, São Paulo e, pasmem: São Cristóvão e saúda o craque Leônidas da Silva, conhecido pela alcunha de Diamante Negro. No arranjo, de Jaime Vignoli, destaca-se a participação dos integrantes do grupo Água de Moringa (Alcofra, Vignoli e o clarone de Rui Alvim), ao lado de Marcelo Bernardes (sax), Jessé Sadoc (trompete), Pedro Paes (clarinete). A gaitinha é sampleada da gravação original, “interpretada” pelo centenário rubro-negro Ary Barroso.
Meu Rádio e meu Mulato conta a saga da cabrocha que levou um rádio para o morro, cujas ondas causavam rebuliço na vizinhança: “Vai-se aglomerando o povaréu lá no portão / mas quem eu queria não vem nunca / por não gostar de música / e não ter coração”. O arranjo de Luís Flavio Alcofra (novamente com a presença da turma do Água de Moringa), abre espaço para o acordeon de Marcos Nimrichter e para o violino dedilhado do franco-carioca Nicolas Krassic. Alcofra assina também a orquestração de Errei...Erramos, com destaque para a flauta de Andréa Ernest Dias e o bandolim de Marcílio Lopes.
Como é praticamente impossível falar da década 30 no Rio de Janeiro sem mencionar Noel Rosa, Sacramento escolheu, de uma só tacada, quatro sambas do poeta da Vila: Mulato Bamba (1932), O X do Problema (1936), Triste Cuíca (1935), Só Pode Ser Você (com Vadico, 1936). A primeira, dizem os especialistas, é a primeira canção da música popular brasileira a enfatizar o homossexualismo entre a malandragem. Muitos garantem que o mulato forte “que sabe fazer frente a qualquer valente / mas não quer saber de fita nem com mulher bonita” seria inspirado no próprio Madame Satã. A gravação original é de Mario Reis. As três seguintes foram lançadas por Aracy de Almeida. Triste Cuíca, escrita em parceria com Hervê Cordovil, descreve o adultério com a ironia dissimulada típica de Noel: “Ele não deu à Zizica a menor satisfação / e foi guardar a cuíca na casa da Conceição”, aqui com arranjo para sopros (flautas, trompete, flugelhorn e trombone) de Carlos Fuchs.
De Wilson Baptista é Esta Noite eu Tive um Sonho, feita em parceria com Moreira da Silva. O samba-de-breque, de 1941, foi lançado numa gravação antológica de Kid Morengueira, e ambienta o malandro em plena Alemanha da Segunda Guerra, entre Graaf Zeppelins e salsichas, com direito à possivelmente única citação do mundo do samba na língua de Goethe: Ich nag dich (a tradução está no encarte). Do morro para a cidade, Sacramento recria ainda Meu Moreno Fez Bobagem (1942), de Assis Valente; Onde Está a Florisbela (1944), de Geraldo Pereira; Imperador do Samba (1937), de Waldemar Silva; além da caçula Notícia (1955), de Nelson Cavaquinho, que enxerga a traição amorosa de maneira peculiar e ironia detetivesca, mais resignada que a de Noel para tratar do mesmo tema: “o cigarro deixado em meu quarto / é a marca que fumas / confessa a verdade / não deves negar”. Destaque para a participação de Silvério Pontes e Zé da Velha, respectivamente no trompete e no trombone. A escolha do repertório é do próprio Sacramento, com produção de Flavio Alcofra e Carlos Fuchs, e direção musical de Alcofra e Jaime Vignoli. |
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Faixas |
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| 01 |
Deixa Falar!
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3m51s
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| 02 |
Meu Romance
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3m17s
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| 03 |
Mulato Bamba
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4m06s
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| 04 |
X do Problema
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4m46s
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| 05 |
Meu Rádio e meu Mulato
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3m19s
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| 06 |
Esta Noite eu Tive um Sonho
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3m24s
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| 07 |
Fez Bobagem
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3m33s
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| 08 |
Triste Cuíca
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4m24s
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| 09 |
Só Pode Ser Você
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2m09s
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| 10 |
Notícia
compre em mp3
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4m10s
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| 11 |
Errei... Erramos
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3m09s
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| 12 |
Onde Está a Florisbela?
compre em mp3
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3m08s
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| 13 |
Imperador do Samba
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5m34s
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Ficha Técnica |
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Gravado e mixado no Estúdio Tenda da Raposa, Rio de Janeiro, julho/agosto de 2003.
Produção musical - Luiz Flávio Alcofra e Carlos Fuchs Direção musical - Luiz Flávio Alcofra e Jayme Vignoli Engenheiros de gravação - Carlos Fuchs e Daniel Vasques Mixagem - Carlos Fuchs, Jayme Vignoli e Luis Flávio Alcofra Direção artística e repertório - Marcos Sacramento Produção executiva - Miguel Bacellar Arregimentação - Luis Flávio Alcofra, Jayme Vignoli e Carlos Fuchs Masterização - Ricardo Garcia - Magic Master (RJ)
Capa / projeto gráfico - Luciane Ribeiro Fotos - André Vilaron Assistente de fotos - Cinara Barbosa Assistente de produção - Tomaz Secco
Uma realização Biscoito Fino Direção geral - Kati Almeida Braga Direção artística - Olivia Hime Coordenação de produção - Martinho Filho |
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