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Apresentação |
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O lançamento de um novo disco de Paulinho da Viola já seria, por excelência, motivo de orgulho para qualquer companhia de discos do planeta. No caso da Biscoito Fino, gravadora que há dois anos se dedica exclusivamente à música popular brasileira, a honra, naturalmente, é ainda maior. Que dirá se este disco contiver a trilha sonora de Meu Tempo é Hoje, o aplaudidíssimo documentário dirigido por Izabel Jaguaribe, que flagra Paulo César Baptista Faria em seu cotidiano de sabedoria, marcenaria, algum choro e muito samba.
Meu Mundo é Hoje, música que abre o disco e oferece a corruptela para o título do documentário é um velho samba de Wilson Baptista, compositor que notabilizou-se por seus versos transgressores e sua postura insolente. Tão insolente que o outsider da Lapa de outrora desafiou Noel Rosa para a mais fértil polêmica musical de que o samba tem notícia. Mas isso é outra história. Já que nosso tempo é hoje, o que vale é a interpretação pungente de Paulinho, tão lírico quanto afiado como compositor e intérprete. As músicas cantadas por Paulinho soam como se compostas por ele. Mesmo quando, por capricho, calha de o autor ter outro nome.
Nesta categoria está ainda Carinhoso (Pixinguinha – João de Barro), cujo festejado dueto com Marisa Monte remete a um Standard do quilate de Summertime, uma Ella & Louis suavizados. Filosofia (Noel Rosa – André Filho), famosa na voz de Mario Reis e Chico Buarque, é outra a suscitar derivações e genealogias. Como se a Escola Filosófica de Frankfurt tivesse uma filial na Vila Isabel, sob estruturas lapidadas pela marcenaria poética de Paulinho.
Os convidados têm todos a nobreza do samba a que costuma referir-se Hermínio Bello de Carvalho. A nobreza sem aristocracia, de Elton Medeiros, o velho parceiro desde o primeiro disco (Minhas Madrugadas, 1966), que canta com Paulinho os sambas Injúria, Recado, O Sol Nascerá, Jurar com Lágrimas, tendo como apoio a incendiária caixinha de fósforos do sambista. Catorze Anos diz que “sambista não tem valor / nesta terra de doutor”. Versos entre realidade e realeza que não encontram ressonância na dinastia da Velha Guarda da Portela, grupo criado sob a inspiração do próprio Paulinho, no início da década de 70. Liderada por Monarco, Casquinha, Jair do Cavaquinho, Argemiro e as pastoras Doca, Eunice, Surica a Velha Guarda homenageia o padrinho que lhes pede a bênção em De Paulo da Portela a Paulinho da Viola e Foi um Rio que Passou em Minha Vida, este o Carinhoso, o Summertime de Paulinho.
Na dinastia do samba, que reforça a maestria do compositor também no choro, os da Viola dão a César o que é de Paulinho. O pai do sambista, César Faria (integrante do Época de Ouro desde os tempos de Jacob), e o filho João Rabello terçam cordas com o homenageado em Rosinha, essa Menina. Sarau para Raphael é outro choro de Paulinho, desta vez na companhia dp grupo Nó em Pingo D´água. Amélia Rabello é a voz dolente que o acompanha em Ruas que Sonhei.
O mais complementar dos duetos é um insulto à mesmice que aprisiona o samba com o gesso das boas intenções. Juntos, Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola consolidam um século do gênero, em suas diversas vertentes: ambíguo, corrosivo, sublime. Conflito narra a história, escrita pelos profetas pagodeiros Marcos Diniz e Barbeirinho do Jacarezinho, do “bode” provocado pelo roubo do cabrito do Seu Benedito. O resultado, mitológico, é digno do &lquo;Deus sonso e ladrão que fez das tripas a primeira lira”, nas palavras de outro poeta da música popular. Tem ainda Coisas do Mundo Minha Nega, Sinal Fechado, Argumento. Como diria o sambista Batatinha: “O samba bem que merecia ter ministério algum dia / então seria ministro Paulo César Batista Faria”. Close no filósofo Pagodinho: “Só mesmo no cinema”. |
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Faixas |
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| 01 |
Meu Mundo é Hoje
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1m24s
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| 02 |
Pot-Pourri - Injuria / Recado / O Sol Nascerá / Jurar com Lágrimas
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4m07s
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| 03 |
14 Anos
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1m32s
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| 04 |
Rosinha, essa Menina
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1m42s
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| 05 |
Ruas que Sonhei
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1m59s
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| 06 |
Sinal Fechado
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2m43s
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| 07 |
Chora Cavaquinho
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2m02s
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| 08 |
Carinhoso
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1m49s
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| 09 |
Pra Fugir da Saudade
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2m24s
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| 10 |
Filosofia
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2m39s
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| 11 |
Pot-Pourri - De Paulo da Portela a Paulinho da Viola / Foi um Rio que Passou em Minha Vida
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4m21s
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| 12 |
Conflito
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3m29s
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| 13 |
Retiro
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1m09s
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| 14 |
Coisas do Mundo, Minha Nêga
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3m17s
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| 15 |
Um Sarau para Raphael
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4m38s
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| 16 |
Argumento
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37s
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Ficha Técnica |
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Ficha técnica do CD:
Seleção de repertório - Paulinho da Viola Gravação - Denilson Campos, exceto nas faixas: Sarau para Raphael, gravada por Rodrigo de Castro Lopes, Sinal Fechado e Filosofia, gravadas por Fernando Prado Masterização - Luiz Tornaghi (Visom Digital)
Capa / projeto gráfico - Luciane Ribeiro Fotos - Márcia Kranz Foto relógio PB - Milton Montenegro Logo - Nüdes
Direção executiva - Kati Almeida Braga Direção artística - Olivia Hime Produção - Pedro Seiler
Marisa Monte gentilmente cedida por EMI Music Zeca Pagodinho gentilmente cedido por Universal Music Brasil |
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