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Apresentação |
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 Um dos grandes letristas da música atemporal brasileira, Paulo César Pinheiro mostra em seu primeiro disco solo, O Lamento do Samba, que sua atividade poética desdobra o melodista e o intérprete. Neste primeiro lançamento do selo Quelé (parceria da Biscoito Fino com a Acari Records), Paulo César é também o cantor de criações inteiras de sua autoria. Ousadia para quem é parceiro de Baden Powell, Antonio Carlos Jobim, Edu Lobo, Francis Hime, Guinga, João Nogueira e Mauro Duarte, entre tantos outros, e tem em Elis Regina, Clara Nunes e Zeca Pagodinho algumas das mais sonoras vozes de sua obra.
Atitudes poeticamente arrojadas têm sido a tônica da atuação de Paulo César Pinheiro em mais de 30 anos de serviços prestados com excelência ao cancioneiro popular. Como melodista, Paulo César equilibra sensibilidade e pungência, lamento e celebração. Evoca Pixinguinha (parceiro póstumo), Cartola, Noel em canções que impressionam pela forma espontânea com que equilibram sofisticação e simplicidade. Os subúrbios do Rio estão para Paulo César como o mar da Bahia para Caymmi. Isso numa obra cuja abrangência perpassa limites geográficos ou estilísticos. Como intérprete, a melhor definição vem do parceiro Maurício Carrilho: “Paulo César canta com aquela voz rouca, de filho do Nelson Cavaquinho”.
No repertório, todo de canções inéditas, a marca do poeta estende-se generosamente ao melodista. O Lamento do Samba, faixa-título, revela a beleza oriunda de melancolias atemporais: “quem não sabe a ciência do samba / vai fazer o que pede o momento / o segredo da força do samba / é a vivência do seu fundamento / o que faz ser eterno um bom sambista / é a beleza que tem seu lamento”.
Princípio que permeia Samba de Tristeza: “Sei que um samba de tristeza / para sempre o povo canta / mas a dor que eu trago presa / nunca vai caber num samba”. Nomes de Favela endossa a nostalgia de um Rio idealizado em versos, distante dos (des)comandos da cidade e seus morros: “Não sou do tempo das armas / por isso ainda prefiro / ouvir um verso de samba / do que escutar som de tiro”.
Entre as agruras cosmopolitas, o sambista fala do amor, em vertentes variáveis. Passa da descrença, em Fechado por Dentro (“compreendi que amor perfeito / é só nome de flor, outro não há”), à desilusão, em Você Jamais (“você jamais vai me fazer sofrer / agora esse prazer você não vai ter mais”) e o mistério, em Sublime Paixão (“é luz negra que ofusca e cega / é mar que se teme e se navega / e ânsia sublime de aventura”).
Na filosofia do samba, a inspiração é suficiente para cantando mandar-se a tristeza embora, como em Meia-Água: “eu faço um samba pra mágoa / outro pra separação / toda tristeza deságua / quando começa o refrão / porque o samba puxou meia-água / dentro do meu coração”. Quando eu me For recicla a fita amarela do legado de Noel: “não quero ver ninguém chorar / quero os amigos bebendo por mim / em casa ou na mesa do bar / não quero ver ninguém sofrer / só quero um samba / a beleza de um samba de amor / quando eu morrer”.
O Lamento do Samba é o primeiro de uma série de doze discos, dedicados ao samba e ao choro, pelo selo Quelé, uma parceria da Biscoito Fino com a Acari Records. |
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Faixas |
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| 01 |
O Lamento do Samba
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3m49s
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| 02 |
Estrela Partida
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2m43s
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| 03 |
Nomes de Favela
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3m49s
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| 04 |
As Pedras se Cruzam
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3m42s
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| 05 |
Amor Ausente
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3m04s
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| 06 |
Você Jamais
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3m29s
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| 07 |
Fechado por Dentro
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2m50s
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| 08 |
Sublime Paixão
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2m55s
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| 09 |
Samba de Tristeza
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5m27s
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| 10 |
Temporário
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3m41s
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| 11 |
Meu Sofrimento
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3m21s
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| 12 |
É uma Sina
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3m47s
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| 13 |
Meia-Água
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3m19s
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| 14 |
Quando eu me For
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3m33s
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Ficha Técnica |
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Produção artística e arranjos - Mauricio Carrilho Produção executiva - Luciana Rabello Assistente de produção - César Carrilho Masterização - Alexandre Hang Gravação - Amaro Moço Mixagem - Amaro Moço e Mauricio Carrilho Design gráfico - Anderson Araujo Fotografias - Silvana Marques Gerência de produção - Martinho Filho
Instrumentistas: Mauricio Carrilho (violão, violão de 7 cordas e tamborim), Luciana Rabello (cavaquinho), Pedro Amorim (bandolim), Dininho (baixo elétrico), Wilson das Neves (bateria, cuíca, agogô e tamborim), Cabelinho (tamborim, surdo e ganzá), Marcelo Bernardes (flauta), Pedro Paes (clarinete), Rui Alvim (clarone e clarinete), Celsinho Silva (pandeiro, reco-reco, ganzá e tamborim), Julião Rabello Pinheiro (violão), Roberto Marques (trombone), Arismar do Espírito Santo (baixo elétrico), Álvaro Carrilho (flauta), Eduardo Neves (sax tenor) e Ana Rabello Pinheiro (cavaquinho).
Coro Acari: Alfredo Del Penho, Amelia Rabello, Ana Rabello Pinheiro, Anna Paes, Cristina Buarque e Pedro Paulo da Malta.
Direção geral do selo Quelé: Luciana Rabello, Olivia Hime, Kati Almeida Braga e Mauricio Carrilho. |
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