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A idéia surgiu de um papo com o jornalista Braulio Neto. Fazer um show para o Café Musical Carioca da Gema, onde eu sou produtor musical e ele assessor de imprensa. Chamei os meninos para homenagear a turma que faria 100 anos e lembrar músicas que fariam 50 em 2002. Batizei de Lembranças Cariocas. Compositores maravilhosos, músicas inesquecíveis.
No conjunto musical, uma rapaziada muito boa, cheia de suingue, com idade para ser filha, neta e até bisneta das músicas tocadas ali.
Didi Vidal gravou e lançou pela Click Cultural. Uma parceria e tanto. Altos arranjos, grandes interpretações dos cantores da nova geração para eternos sucessos da nossa Música Popular Carioca. Os anos de 1902 e 1952 foram muito especiais. Essas coisas que só Deus sabe e os astros explicam.
Em 1902, nasceram grandes expressões da história do Brasil e da cultura carioca: o poeta Carlos Drummond de Andrade, o presidente Juscelino Kubitschek, o arquiteto Lúcio Costa, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, a cantora Clementina de Jesus, os compositores cariocas Alberto Ribeiro, Armando Marçal, Bidê, Carlos Cachaça, Moreira da Silva e o pernambucano Nelson Ferreira. Aliás, 1952 fez parte de um tempo em que o Rio de Janeiro se fez Cidade Maravilhosa. E a Era do Rádio alcançava seu ponto alto, e as boates de Copacabana eram o máximo das noites cariocas.
O samba-canção estava na moda. A vida cultural da então capital da República estava a todo vapor. Aqueles compositores citados lá em cima, mais Ari Barroso, Dorival Caymmi, Antônio Maria, Fernando Lobo, Wilson Baptista, Klécius Caldas, Lupicínio Rodrigues e tantos outros intérpretes e autores estavam no auge de suas carreiras artísticas e nos presentearam com jóias raras como Risque, Nunca e Poeira do Chão. Ou ainda Não tem Solução, Nem eu, Sábado em Copacabana. Sem falar em Chico Viola, que foi composta no velório do cantor Francisco Alves, que morreu no dia 27 de Setembro daquele ano.
Duas músicas – A Coitadinha Fracassou e Dama Ideal – foram lançadas naquele ano por Geraldo Pereira como cantor. Mas, se fizermos um exame de DNA, Geraldo certamente vai aparecer também como autor. O carnaval de 1952 também veio que veio, com Me Deixa em Paz, Lata D’água, Mundo de Zinco e Estrela do Mar. Estes e outros sucessos da nossa Música Popular Carioca foram lançados naquele abençoado ano da década de 50. Foi uma pesquisa boa de fazer – e ótima de ouvir.
Lembranças Cariocas tem participações especialíssimas: uma delas, de Chico Buarque, carioca até no apelido. Filho do centenário Sérgio Buarque de Hollanda, Chico lê no CD um poema de amor que o também centenário Carlos Drummond de Andrade fez para o Rio de Janeiro. Além dele, também participa Cristina Buarque, a filha caçula de Sérgio, uma das grandes intérpretes da nossa música. Completa esse timaço meu querido amigo Paulão, num samba que lhe cai muito bem.
Isso tudo com a benção do Bolacha e do Marçal.
Poderia ser melhor?
Lefê Almeida
P.S. – Bolacha é o apelido dado por Ciro Monteiro ao compositor Mauro Duarte.
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