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O amor sempre ocupou um imponente espaço temático na canção popular brasileira, com ampla abordagem em suas nuances diversas – amores estóicos ou servis, amores de estação, com seus ardores e suas dores, banais ou fatais,
sexuais, totais, celestiais...mas amor, sempre o amor.
Quanto mais repetimos seu nome – amor – outras feições toma o substantivo, e se transforma, se transtorna, se entorna sobre nós como uma bênção entre o sagrado
e o profano, entre a liturgia e o cotidiano – o amor pode ser um ritual.
Procuramos, neste CD, encontrar O Grande Amor, e apresentá-lo por meio de canções que o deflagrassem na glória de seu acontecimento e sua experiência.
O amor que afirma, assertivo, como nas palavras de Vinícius de Morais, “amor que há de vencer”, dispensando premissas filosóficas e outras, encontrado
em sua genuinidade, em sua feição empírica e onírica, em sua catarse maior, transbordamento incontrolável, epifânico. O amor em seu “entusiasmo” (en-ethos =
Deus dentro), em sua sublimação.
E nesse pequeno inventário recorremos às palavras de Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Cacaso, Olivia Hime, Geraldo Carneiro, Alice Ruiz, Hermínio Bello de Carvalho, entre outros poetas-letristas em canções de Jobim, Francis Hime, Chico Buarque, Joyce, Rita Lee...sem falar das vozes que as abrigam: Maria Bethânia, Mônica Salmaso Olivia Byington, Frejat, Adriana Calcanhoto, Chico César, Simone Guimarães...
Enfim...prezamos por obras que, possivelmente, conseguissem tocar o que aparentemente fosse indizível, por meio de um roteiro que nos levasse a um lugar “incomum”. Qual lugar? Para tanto, cito as palavras do poeta-letrista Cacaso, em Clarão: “amores que foram meus, agora de quem serão?”.
Heron Coelho (jornalista e diretor teatral)
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