Paulicéia Desvairada, lócus de vanguardas múltiplas e demarcada pelo pluralismo, São Paulo não só produziu – e produz – uma música ímpar, como também agrega ao seu espaço variados artistas vindos de outras regiões do Brasil, compondo um colorido caleidoscópio que podemos ver, ouvir e sentir em De Sampa. A cultura deflagrada em sua diversidade de estilos atravessa as barreiras do tempo, permitindo-nos encontrar elos entre o canto de Márcia – intérprete do samba-canção símbolo da cidade, Ronda – e as nuances vocais de Mônica Salmaso, ao entoar Menina Amanhã de Manhã, de Tom Zé, o baiano mais paulistano de nossa história. E o mesmo Tom, aliado à sua colega "mutante" Rita Lee, abrem as portas paulistas para o conhecimento geral de uma cultura na qual, metaforicamente, as minas de Sampa possam rondar pela Angélica, Augusta e Consolação, ou abraçar o sol, escravas da alegria de uma poética Avenida São João...
E viajar, com todos nós, ouvintes paulistas ou não, pelos contornos da contemporaneidade de compositores como Toquinho, Arnaldo Antunes, José Miguel Wisnik, Fábio Tagliaferri, Chico Pinheiro, Paulo Bellinati, Beatriz Azevedo, Chico Saraiva, Luiz Tatit, dentre outros conduzidos por um híbrido e irrefreável processo de criação. É claro, sem esquecer as vozes marcantes de Salmaso, Eveline Hecker, Renato Braz, Ná Ozzetti, sem as quais o grande Show jamais aconteceria.
De Sampa não demarca território, mas abre, de modo conceitual, um leque de prismas e olhares sobre a arte de uma cidade sem tempo, sem hora, sem intervalos... mas com muita, muita música boa.
Heron Coelho
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