Juntas desde 1996, as cantoras Amora Pêra, Fernanda Gonzaga, Isadora Medella e Paula Leal apresentam o CD/DVD Em Tempo de Crise Nasceu a Canção. Três anos depois do lançamento do seu primeiro CD, “Quem vai comprar nosso barulho?”, as Chicas fazem sua estreia em DVD com o registro do “barulho” ao vivo. O trabalho em vídeo inclui canções que não estão no primeiro CD, como “Divino Maravilhoso” de Gil e Caetano, que abre o show, e “Androginismo”, da dupla Kleiton e Kledir, que só foi gravada anteriormente pelos Almôndegas, além de arranjos inspirados que já caracterizam o trabalho da banda. Isso acontece também no novo CD que, com nove músicas inéditas, entre as 14 que o integram, traduz a dinâmica do grupo, que gosta de experimentar tudo no palco para depois chegar ao estúdio. Ou seja, a turnê de um disco já é o próximo disco. Assim, arrisca-se dizer que Em Tempo... é um trabalho inédito com direito a algumas repescagens do álbum anterior, bem ao estilo Chicas, cheio de frescor e de surpresas.
Voltando ao primeiro DVD, o cenário de Sol Azulay abre totalmente o Teatro Rival e leva o público aos urdimentos e bastidores da casa, mostra os meandros de se fazer um espetáculo de música. Podemos ver cabos, fios, camarins, instrumentos, luzes, técnicos, tudo que em geral fica escondido do espectador. As paredes do teatro foram vestidas de lindas imagens, quadros e objetos, dando um toque feminino ao ambiente. A mesma Sol é responsável também pelos figurinos, que reforçam a personalidade de cada Chica, em sua simplicidade e bom gosto.
A luz e a fotografia de Manuel Águas brincam com sombras e recortes, contribuindo com os climas, sempre em harmonia com os cenários. Podem sugerir também, entre outras coisas, as sensações de noite, madrugada e amanhecer.
A edição de Sérgio Marini, um especialista na linguagem, é extremamente dinâmica e busca a não linearidade, opção que corrobora com as variações sonoras que o grupo propõe.
Quem assina a direção geral é o jovem diretor Pedro Von Krüger, que traz na bagagem uma larga experiência no cinema e em DVDs, onde atuou em diversas funções, tais como assistente de direção no “Brasileirinho” de Maria Betânia e como cinegrafista na versão mais recente de “Bonitinha mas Ordinária”.
Em Tempo de Crise Nasceu a Canção seria mais um trabalho independente das Chicas, mas ao final do processo de mixagem o grupo recebeu uma proposta de distribuição nacional e internacional pela gravadora Biscoito Fino. Topou, claro!
Com as meninas estão alguns parceiros que há anos as acompanham nessa empreitada. É o caso de Ajurinan Zwarg, bateria; Bruno Aguilar, baixo; Carlos Bernardo, guitarra, buzuc, violões e Pedro Rocha, percussão. Nas cordas, mais meninas: Renata Neves e Thaís Ferreira, violino e violoncelo, respectivamente. O show tem ainda a participação especialíssima do baixista Pedro Moraez nas músicas “Moleque”, de Gonzaguinha e “O Quereres”, de Caetano Veloso.
Como a formação e origem do grupo são teatrais, não poderiam faltar alguns textos ditos pelas atrizes/cantoras. Entre eles, o poema “O melhor do namoro é quando acaba” de Pedro Rocha, “Ah!” de Cacaso e “Os ninguéns” do uruguaio Eduardo Galeano.
De brinde, quatro extras: a canção “Cidade Ideal”, tirada do show infantil “Barulinho”; Entre Vistas, um dedo de prosa sobre o trabalho entre as Chicas, David Tygel, arranjador e compositor, integrante do Boca Livre, Cláudio Mendes, ator e diretor teatral, o escritor e jornalista Guilherme Fiúza e o crítico de música Bernardo Araújo. Uma canção inédita de Paula, Amora e Pedro chamada “Nosso Tempo” e um arranjo bem “Chicas” para “Caras e Bocas”, de Mu Carvalho e Dudu Falcão, abertura da novela global homônima, gravada por elas.
Em Tempo de Crise Nasceu a Canção, o show, já vem com novas ideias. No repertório estão algumas faixas do DVD e mais algumas novidades e arranjos diferentes. “Can´t buy me Love”, de Lennon e McCartney, abre os trabalhos. Há uma versão para “Terapia de Murga” de Rada, artista uruguaio muito popular na América Latina, mas pouco conhecido pelos brasileiros. E algumas composições do grupo, como “Tánacara quero ver (a roda)”, parceria de Carlos Bernardo e Amora Pêra.
O lançamento nacional será no Rio de Janeiro, dia 4 de novembro, no Teatro Oi Casa Grande e em São Paulo, no dia 11 de novembro , no Sesi São Paulo.
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