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Responde à roda CD
Claudia Cunha
R$ 33,90 

Apresentação
Faixas
Ficha Técnica
Apresentação

“Responde à roda” – Cláudia Cunha
Biscoito Fino / 2009

Cláudia Cunha: uma voz em movimento
Por Flávia Souza Lima / julho 2009
Se música é perfume, Cláudia Cunha nos oferece um buquê. “Responde à roda”, o disco de estréia dessa paraense que fez da Bahia a sua casa, exala cores, nomes, ritmos, aromas. Nos sentidos vários que brotam do encontro da cantora e compositora com o seu repertório, um dos mais aprazíveis, além do olfato – que sente o cheiro de uma inspirada novidade na música brasileira –, é, não por acaso, o da audição. A dicção elegante, como se saboreasse cada palavra, flui macia do seu cantar suave e claro. A voz que percorre as canções em cativante registro de soprano dá a pista das origens desse canto, talvez sem querer, na mais sensual faixa desse trabalho, “Aioká”: “uma vez Inaê cantou no mar / e a sua voz me chamava / para o seu colo de uma vez”. A voz de Cláudia vem das águas. Alterna a placidez dos igarapés que a receberam criança com o movimento das ondas marítimas nas quais a moça foi morar.
No estampado de seu tecido musical, a artista desenha o seu espírito inquieto. Há uma permanente conversa da cultura popular e da tradição da música brasileira –  com as quais mostra ter uma relação atávica – com o filtro contemporâneo – mas que renuncia a qualquer elemento eletrônico –  de quem mergulha com profundidade nas belezas das melodias tão diversas e nas sutilezas dos arranjos.
O coeso repertório é rico em imagens. A começar pela da roda que, anterior ao título do CD, é também um simbólico convite que a música faz a Cláudia, que prontamente o responde, disposta a participar da brincadeira e a convidar outros a girar com ela. Em 2007, a intérprete recebeu três importantes premiações na Bahia, dentre as quais, o Prêmio Braskem Cultura e Arte, que a possibilitou gravar esse CD, que agora ganha distribuição nacional pela Biscoito Fino. Os outros prêmios foram como melhor intérprete: o Troféu Caymmi e o V Festival de Música da Educadora. É a artista em movimento, fazendo girar a sua música, na sua roda-viva.
O álbum traz 13 faixas que parecem ter sido artesanalmente concebidas por Sérgio Santos – produtor do disco, cantor, compositor e instrumentista mineiro, dono de uma das mais requintadas obras que a MPB produz atualmente –, e pela própria intérprete – que o co-produziu e assina três canções: “No girar de Alice”, “Baião dividido” (com Rafael Dumont), “Responde à roda” (com Manuela Rodrigues).
 Difícil não se entregar ao chamado dessa voz, que abre o disco com “Din Don”, inédita do músico Rodolfo Stroeter, que também celebra a imagem de uma das manifestações mais presentes na Bahia, a roda de capoeira. “Responde à roda”, também inédita, evoca a ciranda de roda, e “Auto-retrato”, a roda de samba. Esta preciosidade de Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro, suscita a delicada conversa entre o piano de André Mehmari e a voz, e deságua no momento mais pungente do disco.
A água também margeia o trabalho. É o elemento vital de “Mar do Norte”, inédita de Ivan Bastos e Gil Vicente, que a faz navegar nas reminiscências de quem deixa a sua terra natal. Em “No girar de Alice”, propõe um mergulho em sua infância que rebobina espelhada na imagem de sua filha. Em “Aioká”, a figura sensual de Iemanjá, cujo canto é a voz do mar. Já em “Cabe um tanto” é a gota d´água que inspira Manuela Rodrigues a se mostrar compositora de mão cheia, em inédita melodia ressaltada por instigante arranjo de Luciano Salvador Bahia (que também assina o de “Aioká”); vale registrar que os dois são contemporâneos de Cláudia na nova safra de talentos musicais da Bahia de agora.
“Putirum” é outra inédita (de Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro) que a remete ao Pará, através das tantas tradições indígenas e do Quarup (olha outra roda aí!). A mesma dupla assina “Ganga Zumbi”, que traz a voz de Sérgio Santos em contraponto à da cantora. Outras vozes masculinas integram o disco em duas inéditas: Zé Renato, em afinado dueto na bossa “Pra você gostar de mim”, dele e de Joyce, e Roberto Mendes que em parceria com Hermínio Bello de Carvalho a presentearam com “Seu moço”, samba que sugere um sinuoso e aquático caminho da felicidade: “seu moço me ajeita esse barco que eu vou singrar pra Bahia”.
Como em toda boa roda, as partes se tornam o todo.  Musicalmente, é assim que acontece em “Responde à roda”, que promove o encontro de diversos brasis dentro de um. Cada um com sua cor local. De São Paulo vem André Mehmari, Toninho Ferraguti e Nailor Proveta (que costura “Quando eu era sem ninguém, de Tom Zé, com um arretado sax soprano). Arretadas também são a percussão portenha de Ramiro Musotto e a baiana de Rudson Daniel, que ladrilham com precisão cada faixa. É também da Bahia que vem a bateria de Tutty Moreno.  O violão mineiro de Sérgio Santos, o contrabaixo carioca de Zeca Assumpção e tantos outros talentos vieram girar com Cláudia.
A artista responde e toma o seu lugar.
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Faixa a faixa, por Cláudia Cunha

 01.  Din Don – Quando o Sérgio me pôs pra ouvir essa música eu disse: é isso! Ele riu e rebateu: eu sabia! O Rodolfo (paulistano) fez uma linda homenagem à capoeira e me possibilitou a mim, uma paraense, através da sua canção, homenagear a Bahia, estado que escolhi para viver.  Para misturar ainda mais, convidei o Ramiro Musotto (percussionista argentino) pra conceber e tocar o berimbau.
02.  Baião dividido – mostrei meio timidamente essa minha composição pro Sérgio e me surpreendeu o entusiasmo dele. E mais ainda quando ele trouxe o Toninho Ferragutti com todo aquele arsenal inesgotável de frases e mais frases lindas e tão bem executadas. E o baião virou galope!
03.  Aioká – os compositores dessa preciosidade são dois baianos, conhecidos especialmente por “É preciso perdoar”, gravada pelo João Gilberto. Um achado que resgatei de um LP do autor em um sebo na Barroquinha. Nessa faixa, assim como em quase todo o disco, o talento da percussão do baiano Rudson Daniel.
04.  Ganga-Zumbi – ao ouvir “Áfrico”, do Sérgio Santos, o elegi um dos discos mais importantes da música brasileira recente. E Ganga-Zumbi é uma das músicas mais fortes e marcantes desse trabalho. Logo, que responsabilidade regravá-la! O Sérgio concebeu um arranjo em que pôs em destaque os violões e a percussão, e que se aproximava da idéia original pra música que Paulo César Pinheiro letrou.
05.   No girar de Alice – a Alice magrela, que rodopia e me faz lembrar de mim mesma é minha filha.  Essa canção me trouxe muitas alegrias, entre elas, uma premiação de melhor intérprete pela Educadora FM, minha primeira letra e uma maior autoconfiança como compositora.
06.   Mar do norte – essa canção tão linda continua a me emocionar quando a ouço ou canto nos shows. Ela fala de mim e eu me expresso por ela. O arranjo é do autor da música, Ivan Bastos, contrabaixista e um dos músicos mais talentosos que já conheci.
07.   Pra você gostar de mim -  eu me formei musicalmente ouvindo o Zé Renato e a Joyce. Eles figuram entre meus compositores e intérpretes preferidos de todos os tempos! Se já não bastasse isso, o Zé aceitou o convite e canta comigo nessa faixa. Um luxo!
08.   Cabe um tanto – de início, não me interessava a temática amorosa ao selecionar as músicas pra esse disco e, ao dizer isso à Manuela Rodrigues (compositora e cantora talentosa), ela quase desiste de mostrar a composição que tinha feito pra mim. Para fugir do tratamento convencional que se daria a um samba como esse, convidei o inventivo e talentoso Luciano Salvador Bahia para conceber o arranjo.

09.   Responde à roda – com a música e o título já prontos convidei Manuela Rodrigues para pôr a letra. Acho que desde o início essas imagens nortearam o rumo e conceito do disco e colaboraram na participação fundamental de todos que, generosamente, vieram brincar nessa roda.

10.   Putirum – uma música inédita do Sérgio Santos e do Paulo César Pinheiro, que me tocou de imediato. Pela melodia rebuscada e delicada e um texto que me trazem uma língua e cultura tão familiares. No lindo arranjo do Sérgio, o som nada convencional da marimba de vidro.
11.   Quando eu era sem ninguém – essa música deliciosa do Tom Zé é daquele disco emblemático “todos os olhos”, de 1973. Sua estrutura e versos tão comuns nas músicas de tradição oral somadas à brasilidade do sopro do Nailor Proveta fazem dessa faixa a mais festiva do disco.
12.   Seu moço – o Roberto Mendes, além de compositor e violonista genial, é um super cantor! É com ele que divido os vocais nesse samba de roda delicioso, que tem a participação especial do violão de sete do Swami Jr. Como não poderia deixar de ser, tem Santo Amaro como inspiração. Hermínio que o diga!
13.   Auto-retrato – “já entrei na roda...”. Encerro o disco com essa canção tocante do Gismonti e Geraldo Carneiro que desfia uma memória de “cantor de samba”. Acompanhada pelo piano maravilhoso de André Mehmari, fecho os olhos e canto. Gravada ‘ao vivo’, como deve ser.

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Sobre Cláudia Cunha
“Eu cresci em Ourém, uma pequena cidade do estado do Pará onde as festas religiosas e populares constituíam uma referência muito forte na vida dos moradores. Logo, desde cedo eu estava metida naquelas manifestações e acontecimentos, cantando – quando era momento de cantar – e dançando – quando era o momento de dançar. Às vezes, as duas coisas juntas. Vem desse período minha aproximação e encantamento com as tradições musicais do interior, que ainda hoje permanecem no meu trabalho.
Nessa cidade havia também um festival de música que acontece já há quase 30 anos e que gerava uma movimentação muito grande de compositores, cantores e músicos. Foi nesse festival que comecei a cantar e a ganhar meus primeiros tostões e reconhecimento com a música, por volta dos meus 15 anos, o que acabou me levando a voltar para Belém. Já em Belém, comecei a fazer o percurso natural pro cantor popular, que é o da noite, cantando em bares, bandas de baile e, freqüentemente, “defendendo” as composições de amigos em festivais espalhados pelo país. Embora minha história em Belém me trouxesse já um certo conforto enquanto cantora com um trabalho já reconhecido, decidi me mudar para Salvador em 1996 e (re)começar uma nova história, o que incluiu entrar pro curso de música da UFBA. Essa mudança não foi fácil no início. Eu já tinha passado pelas etapas da noite, do esquema mais amador e não me sentia animada a passar por isso novamente. Decidi então ficar mais voltada para o estudo, para a pesquisa na área de música popular e tradicional e fiquei um tempo sem cantar, alternados com algumas apresentações esporádicas em projetos pequenos (Elas Cantam, no T. XVIII/Pelourinho Meio-Dia/Festival de Inverno da Chapada, em Igatu/ Circuito Cultural Uesb e outros.). Entretanto, esse tempo na Escola de Música (EMUS) foi importantíssimo, pois me colocou em contato com músicos e compositores talentosos, que se tornaram amigos e parceiros desde então, no fazer e pensar a música.
Em 2003 passei a integrar o Mandaia, um grupo de samba e choro. A experiência cantando com esse grupo por dois anos, todas as semanas, praticamente sem férias, foi fundamental para o meu crescimento como intérprete. E aí, não importa se no meu disco eu decidi não gravar samba e choro – que era o que muita gente esperava e que, no final das contas, seria mais confortável pra mim. Essa vivência com os chorões, com um repertório imenso e maravilhoso, e com um público fiel e conhecedor que não se deixa enganar, foi um dos mais ricos nesse meu percurso. E depois de um tempo convivendo com músicos incríveis e sendo aceita e aprovada entre eles, ah! que delícia! Seu nome cai na roda! Porque a oralidade é um elemento fundamental nesse universo e é de uma força gigante.
Decidi, após dois anos, deixar o grupo para me dedicar integralmente à minha “carreira solo”, e reiniciar as apresentações com o meu próprio repertório. A partir dessa decisão, tudo caminhou naturalmente. Concebi um show bem amarrado, bem resolvido cenicamente, e que recebeu algumas indicações do Troféu Caymmi. Ali eu comecei a encontrar a direção do repertório e do conceito que veio a resultar no CD. E foi com esse show que pisei pela primeira vez no palco principal do mais importante teatro de Salvador, o Teatro Castro Alves, já que ele foi selecionado para o Circuito Cultural Banco do Brasil.
Decidi então gravar algumas canções para concorrer ao prestigiado Prêmio Braskem Cultura e Arte 2007. Criei um perfil para o meu trabalho no MySpace e coloquei-as no ar. Foi incrível a resposta das pessoas e os contatos que se desenrolaram a partir disso. Inclusive, com o Sérgio Santos, que é um violonista, compositor e arranjador maravilhoso, e que se tornou depois, junto comigo, o produtor artístico do CD. Foi ele quem trouxe talentos admiráveis como o Zé Renato, o André Mehmari, o Nailor Proveta, o Ferragutti e outros, além de fazer comigo esse trabalho de selecionar o repertório.  Eu sugeri alguns nomes que frequentam a minha "baianidade", como os de Roberto Mendes,  Luciano Salvador Bahia, Ivan Bastos,  Manuela Rodrigues,  Tom Zé, Jurandir Santana, Ramiro Musotto e todos os músicos talentosos que tocaram no CD, muitos dos quais me acompanham pelos palcos.
Pra minha alegria, não só venci o Prêmio Braskem (o que me possibilitou gravar esse CD) como ainda ganhei mais dois importantes prêmios como Melhor Intérprete nesse mesmo período: o Troféu Caymmi e o V Festival Educadora FM. É esse meu primeiro CD, que agora chega à Biscoito Fino para ser lançado em todo o país. Até hoje, o movimento mais importante na ciranda da minha vida. 
Por Cláudia Cunha, julho de 2009

 

Assessoria de imprensa:
Adriana Sanglard: (21) 8864 8616 | adrisanglard@gmail.com

Faixas
01 Din Don
Autor:
Rodolfo Stroeter
Intérprete: Cláudia Cunha
Participação Especial: Ramiro Musotto- Percussão
Editora: Direto
02 Baião Dividido
Autor:
Cláudia Cunha e Rafael Dumont
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Direto
03 Aioká
Autor:
Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Peermusic/ADDAF
04 Ganga-Zumbi
Autor:
Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro
Intérprete: Cláudia Cunha
Participação Especial: Jurandir Santana violão (solo)
Editora: Nossamúsica-
05 No girar de Alice
Autor:
Cláudia Cunha
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Direto
06 Mar do Norte
Autor:
Ivan Bastos e Gil Vicente Tavares
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Direto
07 Pra você gostar de mim
Autor:
Zé Renato e Joyce
Intérprete: Cláudia Cunha
Participação especial: Zé Renato- voz
Editora: Tapajós/EMI-VM Editora
08 Cabe um tanto
Autor:
Manuela Rodrigues
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Direto
09 Responde à roda
Autor:
Cláudia Cunha e Manuela Rodrigues
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Direto
10 Putirum
Autor:
Sérgio Santos/Paulo César Pinheiro
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Nossamusica- Cordilheiras/EMI
11 Quando eu era sem ninguém
Autor:
Tom Zé
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Universal
12 Seu moço
Autor:
Roberto Mendes e Hermínio Bello de Carvalho
Intérprete: Cláudia Cunha
Participação Especial: Roberto Mendes voz
Editora: Universal- Direto
13 Auto-Retrato
Autor:
Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro
Intérprete: Cláudia Cunha
Editora: Branquinho/EMI-Direto
Ficha Técnica

Produzido por Sérgio Santos
Co-produzido por Cláudia Cunha
Gravado e mixado no Estúdio Groove (BA) por Duda Silveira entre abril e maio de 2008
Assistentes: Maurício Sprovieri e Cau Rios
Gravações adicionais no Mosh/SP, Bemol/BH e Estúdio Monteverdi/SP (Auto-retrato)
Masterizado por Luis Tornaghi na Visom Digital
Produção Executiva: Carlos Eládio

Projeto Gráfico: Carlos Artêncio
Fotos: Saulo Kainuma
Produção de fotos: Bi Produções
Maquiagem e Cabelo: Déo Carvalho

Music For The Small Hours
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Muito
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Pouco
Paulinho Moska
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Lembranças Cariocas
Vários
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Tchaikovsky IV - Sinfonia nº 6 em Sí menor, Op. 74
OSESP
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Transeunte
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