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Apresentação |
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Virgínia Rodrigues - Recomeço
Quatro anos após lançar seu último disco, Virgínia Rodrigues volta à cena com Recomeço
“Toda alma de artista quer partir/ Arte de deixar algum lugar/ Quando não se tem pra onde ir/Criar raiz...e se arrancar...”
Na Carreira, canção emblema do lendário musical O Grande Circo Místico, de Chico Buarque e Edu Lobo, nunca fez tanto sentido para Virgínia Rodrigues. Na verdade, em menor ou maior escala, tal canção sempre faz ou fará sentido para o “ser artista”, aquele que semeia a verdade no próprio ofício e cujo tempo da criação passa ao largo da cronologia. Virgínia vive um momento Na Carreira,ao mirar para trás e, mesmo tendo no currículo três discos irrepreensíveis, ousa desbravar outros e novos caminhos de sua musicalidade. E não se intimida em reconhecê-lo, vide o Recomeço.
Na verdade, um recomeço que coaduna vários recomeços, uma conjuntura. Foram quatro anos em silêncio, tempo que, se para alguns pode ser interpretado como um hiato, neste caso é um intervalo de desconstrução e conseqüente abertura para um novo movimento. Se em Mares Profundos (2003) , seu último disco, que chegou ao mercado internacional com a chancela da respeitada gravadora Deutsche Grammophon, Vírgínia desbravou as águas percussivas dos afro-sambas de Baden e Vinicius, agora ela mergulha os poros em temas sobre amor e suas variantes, acompanhada apenas do virtuoso piano de Cristóvão Bastos, e estreando numa gravadora, a Biscoito Fino.
Recomeço versa sobre o amor dual, assunto imemorial e onipresente no cancioneiro, e muito discutido na composição. Leia-se desilução, amor incondicional, saudade, idealização amorosa, desconsolo...Virgínia, como intérprete talhada que é, confere ineditismo a clássicos recorrentes da música brasileira. Seu canto camerístico aliado à compreensão da canção popular conferem um novo sentido a poesias de Chico Buarque, como as oníricas Todo Sentimento (com Cristóvão Bastos) e Beatriz (com Edu Lobo); de Vinicius de Moraes, seja com Francis Hime – na pouco conhecida Eu te Amo Amor – ou com Tom, o parceiro ancestral, em pérolas como Por Toda a Minha Vida e Estrada Branca; ou ainda ao grande hino de Dolores Duran, A Noite do Meu Bem.
A ressonância das interpretações de Virgínia fica nítida até em músicas anteriormente consagradas por outros intérpretes, casos de Alma (Suely Costa/ Abel Silva), na voz de Simone, Canção de Amor (Elano de paula/ Chocolate), com Elizeth Cardoso, ou ainda Boa Noite, Amor (José Maria de Abreu, “o rei da valsas”, e Francisco Mattoso), uma das canções mais importantes de Francisco Alves. Completam o repertório Triste Baía da Guanabara (Novelly/ Cacaso) e Porto de Araújo (Guinga/ Paulo César Pinheiro), remetendo, num lastro, à Virgínia das canções afro-religiosas. O acompanhamento uníssono do piano de Cristóvão Bastos, que assina a produção musical e os arranjos, reforça não só a singularidade das leituras da cantora, como o minimalismo que permeia todo o disco.
Com Recomeço, Virgínia Rodrigues nos explica o porquê de quatro anos em silêncio – não dispondo para isso de muito mais que a voz e as personalíssimas escolhas artísticas. O respeito irrestrito ao ofício e o reconhecimento disso evidenciam que a intérprete está muito bem amparada....e ela sabe disso: “Trago inteiro teu talismã/ Quem me acompanha, oh mãe/ É Nanã...é Nanã...é Nanã”.
Sidimir Sanches
Nascida em 1964 em um bairro pobre de Salvador, Virgínia largou a escola aos 12 anos para ajudar no sustento da família. Lavadeira, diarista, manicure e cozinheira foram algumas das profissões que ela encarou ao mesmo tempo em que participava do coro de igrejas católicas e pentecostais. Mas, como ela mesma admite, sua presença na igreja se devia mais à música que à religião. Foi ali que aprendeu a ler música e teve noções de piano e teoria musical. E, ao contrário das meninas de sua geração, que davam mais atenção à música pop internacional, Virgínia desenvolveu um interesse especial por música brasileira e pelas cantoras negras americanas, de Billie Holiday a Marian Anderson, de Aretha Franklin a Jessye Norman. Em 1995 foi apresentada a Caetano Veloso, que acabaria por se tornar seu padrinho artístico. Ao ouvi-la, assinalou: Virgínia tem uma voz que não faz distinção entre o lírico e o popular. A aposta do compositor baiano se estendeu à direção artísitca de três trabalhos da cantora: Sol Negro, Nós e Mares Profundos .
Nas turnês norte-americanas e européias que realiza anualmente, Virgínia Rodrigues já teve seu nome brilhando na fachada de algumas das casas de concertos mais prestigiosas do mundo, como o próprio Carnegie Hall, o Hollywood Bowl (L.A.), o Barbican Theatre (Plymouth) e o Royal Albert Hall de Londres. Incensada pela crítica mundial – incluindo o jornal The New York Times, que classificou sua voz de 'celestial' – ela tem entre seus fãs ninguém menos que o ex-presidente americano Bill Clinton, que lhe dedicou uma passagem no seu livro de memórias Minha Vida.
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Faixas |
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| 01 |
Todo o Sentimento Autor: Cristóvão Bastos / Chico Buarque Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Cordilheiras / Direto
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5m02s
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| 02 |
Alma Autor: Suely Costa / Abel Silva Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Tapajós
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3m03s
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| 03 |
Canção de Amor Autor: Elano de Paula / Chocolate Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Todamérica
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3m52s
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| 04 |
Eu te amo, amor Autor: Francis Hime / Vinicius de Moraes Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Trevo Editora
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4m46s
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| 05 |
Beatriz Autor: Edu Lobo / Chico Buarque Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Lobo Music / Marola
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6m39s
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| 06 |
Triste Baia da Guanabara Autor: Novelly / Cacaso Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Arlequim
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4m37s
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| 07 |
Por toda minha vida Autor: Tom Jobim / Vinicius de Moraes Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Jobim Music / Fermata
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3m28s
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| 08 |
Estrada Branca Autor: Tom Jobim / Vinicius de Moraes Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Fermata / Jobim Music
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5m39s
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| 09 |
A noite do meu bem Autor: Dolores Duran Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Fermata
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4m09s
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| 10 |
Porto de Araújo Autor: Guinga / Paulo César Pinheiro Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Cordilheiras / Tapajós
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4m51s
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| 11 |
Boa noite, amor Autor: José Maria de Abreu / Francisco Mattoso Intérprete: Virgínia Rodrigues Editora: Irmãos Vitale
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3m30s
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Ficha Técnica |
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PRODUÇÃO MUSICAL E ARRANJOS – CRISTÓVÃO BASTOS
ENGENHEIROS DE GRAVAÇÃO E MIXAGEM - RODRIGO LOPES E FERNANDO PRADO
ASSITENTE DE GRAVAÇÃO E MIXAGEM - LUCAS ARIEL
MASTERIZAÇÃO - VISOM DIGITAL
PROJETO GRÁFICO – ANTONIA RATTO
FOTOGRAFIAS – ANA QUINTELA
ASSISTENTE DE PRODUÇÃO – MARIA PORTUGAL
UMA RELAIZAÇÃO BISCOITO FINO
DIREÇÃO GERAL – KATI ALMEIDA BRAGA
DIREÇÃO ARTÍSTICA – OLIVIA HIME
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO – MARTINHO FILHO
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