PIXINGUINHA E SEU TEMPO
Gravações históricas são compiladas num CD
Pixinguinha e seu Tempo reúne 14 gravações do genial compositor, regente, arranjador e instrumentista. Graças aos técnicos orientados pela Vison Digital, gravações do ínicio do século 20, foram digitalizadas e remasterizadas para o projeto Princípios do Choro, lançado em 2002 e hoje disponíveis no Instituto Moreira Salles.
De Pixinguinha, foram feitos três CDs, agora compilados num único, novo lançamento da Biscoito Fino, com uma gravação de 1923 (Mi Dêxa Serpentina), um dos períodos mais ricos da carreira do músico, quando fazia parte do conjunto Os Oito Batutas, organizado por ele. A estréia do grupo, logo após o carnaval de 1919, foi um estrondoso sucesso. Apesar das críticas ao repertório popular e à presença de músicos negros em um recinto aristocrático (Cinema Palais, no centro do Rio, onde tradicionalmente se apresentavam músicos eruditos), teve o apoio de figuras importantes da sociedade, como Rui Barbosa, Ernesto Nazareth e Arnaldo Guinle.
O intérprete de flauta do período de 1919 (ainda da fase mecânica das gravações) até 1930 se mostra em dez faixas: Lamentos, Carinhoso, Rosa, Sofre porque Queres, A Vida é um Buraco, O Urubu e o Gavião, Recordando, Os Oito Batutas, Eu também Vou e Agüenta seu Fulgêncio. Segundo o bandolinista Pedro Aragão, que assina os libretos de Princípios do Choro, “vale destacar nestas gravações a facilidade de toque e a bossa da interpretação que seriam o grande diferencial de Pixinguinha frente a outros flautistas de sua época”.
As três últimas músicas do CD (Mexe com Tudo, Urubatan e Sururu na Cidade) apresentam o Pixinguinha arranjador. Ele foi o primeiro a valorizar o naipe da percussão nas orquestras, antes relegado a um segundo plano. Sua verve de compositor lhe possibilitou a criação de introduções que se adequavam perfeitamente às músicas a serem gravadas, e muitas vezes seriam incorporadas a elas. Além disso, trouxe a tradição do contraponto do choro para seus arranjos.
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