MACAO
Jards Macalé lança CD onde canta simplesmente o que tem vontade.
Verbete: MACAO.sm. Apelido íntimo de Macalé, Jards. Comp., cant., instr. musico & ator.
Ao contrário dos trabalhos anteriores de Jards Macalé, MACAO não conta uma historia nem é homenagem a um só compositor. O novo CD – lançamento da Biscoito Fino - nasceu de um antigo desejo de Macalé de gravar somente com voz&violão. À medida que o repertório foi se desenvolvendo ele sentiu necessidade de agregar outros sons, outros instrumentos.
Convidou Cristóvão Bastos (como havia feito nos CDs anteriores - O Q FAÇO É MUSICA (2002) e REAL GRANDEZA (2005) - que fez uma seleção de músicos altamente sofisticados: João Lyra, Dirceu Leite, Jurim Moreira, Rômulo Gomes, Ricardo Pontes, Alceu Maia, Ovídio Britto, Chacal, além do próprio Cristóvão no piano e arranjos.
MACAO começa com Farinha do Desprezo, que abriu seu primeiro disco, Jards Macalé, lançado em 1973. É uma das primeiras músicas compostas com Capinan nos idos de 1968-69 e que contou na primeira versão com Lanny Gordin (violão de cordas de aço e baixo elétrico), Tutty Moreno (bateria) e Macalé (violão acústico). Nesta nova gravação o compositor quis quatro violões superpostos.
Em seguida vem Boneca Semiótica (Jards Macalé/Rogerio Duarte/Chacal/Duda), em um arranjo minimalista. Segundo Macalé, “o pessoal do Laptop&Violão sacou esta canção de meu LP de 1975 APRENDER A NADAR. Com teclados e programação, prato e garfo, produção, mix e sampler, fizeram uma versão interessantíssima” .
O Engenho de Dentro, parceria com Abel Silva, estava esquecida numa gaveta e é uma das inéditas de MACAO. Macalé procurou Abel para reconstruirem música e letra, até então rascunhada. Saiu um samba “a la Paulinho da Viola”.
Com Ne Me Quitte Pas (Jacques Brel) ele realizou um desejo de muitos anos. “Sempre gostei desta música, é um ícone. Para gravá-la agora ouvi novamente Jacques Brel, Nina Simone e Maysa. E fiz questão de gravar em francês. Afinal, tinha que justificar o Anet do meu nome”, diz caprichando na pronúncia.
Mais uma inédita no disco: Se Você Quiser, parceria com Xico Chaves. Para este maxixe, Macalé admite que invocou Chiquinha Gonzaga, João da Baiana, Benedito Lacerda, Pixinguinha (entre tantos) para dar o balanço. “Tem também a batida de maracatu somado ao maxixe. É um samba de berço”, diz ele.
Um Favor, a sexta música de MACAO, é simplesmente uma homenagem a Lupicínio Rodrigues: “É uma das suas maiores músicas e que sempre amei, onde ele pede um favor aos maestros, músicos, cantores, gente de todas as cores... para que encontrem o amor.
The Archaic Lonely Star Blues (Macalé/Duda) foi lançada por Gal Costa no disco Legal, de 1970, produzido por Macalé. A atual regravação presta uma homenagem à Bossa Nova no ritmo, pois a letra, segundo ele, é anti-Bossa Nova.
Corcovado, de Tom Jobim, foi a primeira música que toda uma geração tentou tocar no violão. Macalé recorreu ao You Tube para resgatar as harmonias de João Gilberto na primeira parte e terminou, como diz brincando, “a la Macalé”, cortando a última palavra de cada frase e terminando com a palavra Corcovado sem o Redentor: “Dediquei a faixa a Johnny Alf, de quem eu e Tom sempre fomos fãs”.
Ronda, de Paulo Vanzolini, é a homenagem de MACAO a São Paulo, “pelo bem que a cidade me fez e nos faz”. A faixa foi produzida por Moacyr Luz para um disco em que vários intérpretes homenagearam os 450 anos de São Paulo.
A composição Balada foi feita com sua mais recente parceira, com Ana de Hollanda, que “traduziu a vida do músico em suas andanças para afirmar o seu ofício. Convidei-a para cantarmos juntos”. Por fim, Só Assumo Só, de Luiz Melodia, que ele diz adorar: “Fala do agora, do agora. Sempre quis cantá-la”.
|