PAISAGEM CRISTINA BRAGA, EUGENE FRIESEN
A música popular brasileira nas cordas e nas vozes da harpista Cristina Braga e do violoncelista norte-americano Eugene Friesen.
“Quando te foste, estalaram cordas nos violoncelos e nas harpas”
Alphonsus de Guimaraens, em “Ossa Mea”
“A esposa concebeu. No dia em que o marido ouviu esta notícia sentiu um abalo profundo; seu amor cresceu de intensidade. — Quando o nosso filho nascer, disse ele, eu comporei o meu segundo canto...Se for menino, dizia ele à mulher, aprenderá violoncelo; se for menina, aprenderá harpa. São os únicos instrumentos capazes de traduzir as impressões mais sublimes do espírito.” Machado de Assis, em “O Machete”.
PAISAGEM, novo trabalho da harpista Cristina Braga que traz o violoncelista de jazz norte-americano Eugene Friesen para uma parceria inédita, é lançamento da Biscoito Fino em maio. Na junção rara destes dois instrumentos admirados por Alphonsus de Guimaraens e Machado de Assis, PAISAGEM é um tributo às grandes canções brasileiras da segunda metade do século 20. Estas peças, com seus aspectos melódicos, harmônicos e melancólicos, poderiam ter sido perfeitamente escritas por compositores clássicos, mas saíram das penas de ícones da música popular brasileira como Tom Jobim, Chico Buarque, Francis Hime, Edu Lobo, Vinicius de Moraes, Ruy Guerra, Geraldo Vandré. Gravar este momento quando samba, jazz e música clássica fundiram-se com tanta naturalidade e poesia fez-se tarefa de dois intérpretes que vivem amam e entendem estes mundos.
Novos Caminhos
Cristina e Eugene trilharam caminhos parecidos em seus instrumentos saindo das escolas formais com a busca incessante de novas linguagens, abraçando a música popular de seus países. Ambos fazem parte hoje do seleto grupo de instrumentistas cantores.
Cristina canta praticamente o disco inteiro, exceto em Eu te Amo quando toca três mil notas por segundo; de catorze discos que lançou este é o segundo totalmente cantado. “Olívia (Hime), que carinhosamente deu força ao meu canto é a madrinha de Paisagem. Em uma conversa divertida durante um jantar, sobre quais seriam as músicas populares brasileiras que se tornariam clássicas daqui a cem anos surgiu a seleção das canções do disco.”
Em Retrato em Branco e Preto e Eu te Amo, Eugene explora a voz instrumental misturada com o cello, característica sua. Mas mesmo para este músico consagrado, Paisagem conseguiu trazer experiências inéditas: pela primeira vez em sua vida cantou palavras em uma canção: como na deliciosa Triste, e na linda versão com quarteto de cordas de Sabiá.
Com bom gosto os dois intérpretes misturam as versões em português e inglês originais das peças, e parecem claramente se divertir enquanto tocam e cantam.
A Produção e os Convidados
Paisagem tem ao seu lado a cuidadosa produção musical de Ricardo Medeiros, que também toca contrabaixo e violão e assina os arranjos de cordas. Joca Moraes contribui com sua bateria de
alfaia de som doce e Marcus Zamma toca a percussão em Sabiá. O cd conta com a participação especialíssima de Francis Hime ao piano nas músicas de sua autoria, Último Canto e Atrás da Porta, e André Mehmari diverte-se, também ao piano, com todo o time em Triste, Inútil Paisagem, Bonita, e Palma da Mão.
Ricardo Amado no violino e David Chew no violoncelo dos quartetos, completam os convidados.
David foi responsável por apresentar pessoalmente Cristina a Eugene durante o Rio International Cello Encounter.
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