|
Apresentação |
 |
|
Alegria
"Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade", anotou Oswald de Andrade.
A Antropofagia foi a única filosofia original brasileira e o mais radical dos movimentos que produzimos. Tem seus frutos na eclosão do Tropicalismo (iniciou-se na música brasileira). O movimento tropicalista alegorizou o nacionalismo e os produtos da indústria cultural. Gil e Caetano criaram uma mistura própria da linguagem carnavalesca, associada à prática antropofágica oswaldiana.
No dicionário, a palavra alegria aparece com várias denotações: contentamento, regozijo, satisfação, prazer, festa, divertimento, júbilo, jovialidade, acontecimento feliz. A Alegria de Beatriz Azevedo agrega todas elas. O substantivo em sua totalidade. Mas o título deste disco, o terceiro da carreira desta polifacetada artista (cantora, poeta, compositora...), não se refere apenas ao substantivo em si e seus significados instantâneos:
- Eu adoro essa palavra que começa e termina com a letra “a”. Acho poética, forte, mágica. Alegria como a quintessência do Brasil, o que de melhor temos a oferecer ao mundo. Essa minha escolha foi também um meio de dialogar com a “Alegria é a Prova dos 9”, do Manifesto Antropofágico, e também com a canção tropicalista Alegria, Alegria – explica Beatriz.
Neste disco, a artista celebra a “tradição da invenção” (em suas palavras), numa linha evolutiva peculiar que agrupa de Gregório de Matos a Chico Science, dos precursores do tropicalismo até os posteriores, como Zé Miguel Wisnik. O espectro de Beatriz filtra e coaduna toda essa carga de referências, transformando-a num residual artístico todo seu, completamente autoral. Dessa forma, o processo criativo é todo muito orgânico e fruto da total compreensão de tudo que a toca e transforma como artista e pessoa no mundo. Não há cantilena, é tudo reação.
Beatriz se despe de qualquer vaidade ao expor suas devorações que culminaram em cada canção. Sua inspiração brota dos terrenos mais díspares. Devoração, do latim devoratione, como se pode concluir, é o ato de devorar. No encarte do disco elas aparecem uma a uma, dando luz ao elo que faz dos Tropicalistas, Oswald e Beatriz devoradores da mesma tribo.
E essa “embolada” se estende ao campo propriamente musical também. Alegria, o primeiro de seus discos produzido pela própria cantora é, como citado ao longo desse texto, essencialmente autoral. Gravado entre Rio, SP e Nova Iorque, com direção musical de Cristóvão Bastos, traz nos arranjos uma diversidade correspondente ao conceito. Dessa forma, pandeiro, alfaias e congas se harmonizam à guitarra, flugelhorns, piano, contrabaixo e a até a uma celesta, formando um tecido sonoro extremamente coeso. A cada parada, participações luxuosas: em Nova Iorque, Vinicius Cantuária entoa a faixa título, uma parceria com a cantora; Jamie Leonhart empresta sua voz à luminosa Abraçar o Sol; já ao lado de Michael Leonhart (o mais jovem Americano a receber um prêmio Grammy, aos 17 anos), Beatriz explorou a sonoridade de instrumentos vintage de meados do século passado, como Hammond, Wurlitzer, Rhodes, celesta, além de tocar um theremim original. No Rio, Jorge Helder, Carlos Bala e Cristóvão Bastos gravaram todas as bases das canções; enquanto Bocato contribuiu com seu trombone. Já em São Paulo, o encontro com a indefectível persona de Tom Zé na bem humorada Pelo Buraco.
Para completar o trabalho, o CD traz ainda um making of dirigido por Sabrina Greve, revelando os bastidores das gravações no estúdio da Biscoito Fino, no Rio de Janeiro; a parceria com Vinicius Cantuária em Nova York; além do encontro com Tom Zé nos Estúdios Mega, em São Paulo. O projeto gráfico, divertido e refinado, é assinado pelo artista Gringo Cárdia.
Com um olhar renovado para a tradição, dialogando com a antropofagia, o tropicalismo e os movimentos contemporâneos, do Brasil e do mundo, a Alegria de Beatriz Azevedo filia-se à tradição da invenção Brasileira.
Em Alegria, Beatriz Azevedo versa com as possibilidades e brinca com as formas. Esteta por vocação, desloca a palavra, explora exaustivamente sua polissemia e gera, assim, o seu discurso. Sem ranço ou pretensão de se fazer hermética. Muito pelo contrário: sua música não se atém a rótulos ou delimitações geográficas, é pop por assim dizer. Afinal, Beatriz é uma jovem artista que não se constrange em devorar o mundo para construir a sua própria alegria.
Assessoria de Imprensa – BISCOITO FINO
Sidimir Sanches – sidimir@biscoitofino.com.br
Thays Souza – tsouza@biscoitofino.com.br
Tel.: 21 2266-9300
|
|
Faixas |
 |
|
| 01 |
Alegria (Beatriz Azevedo e Vinicius Cantuária)
|
5m09s
|
|
| |
|
| 02 |
Coco de Pagu (Beatriz Azevedo e Raul Bopp)
|
4m33s
|
|
| |
|
| 03 |
Rede (Beatriz Azevedo)
|
5m10s
|
|
| |
|
| 04 |
Abraçar o Sol (Beatriz Azevedo e Cristóvão Bastos)
|
3m40s
|
|
| |
|
| 05 |
Speak Low (Kurt Weill / Ogden Nash)
|
5m34s
|
|
| |
|
| 06 |
Circo (Beatriz Azevedo )
|
4m18s
|
|
| |
|
| 07 |
Pelo buraco (Beatriz Azevedo)
|
2m44s
|
|
| |
|
| 08 |
Não é da conta de ninguém (Porter Grainger / Everett Robbins Vr. Beatriz Azevedo)
|
3m32s
|
|
| |
|
| 09 |
Sem Fronteiras (Beatriz Azevedo)
|
3m15s
|
|
| |
|
| 10 |
Os dias não passam (Beatriz Azevedo e Pepê Mata Machado)
|
1m55s
|
|
| |
|
| 11 |
Savoir par Coeur (Beatriz Azevedo)
|
3m29s
|
|
| |
|
| 12 |
Relicário (Beatriz Azevedo e Oswald de Andrade)
|
3m38s
|
|
| |
|
| 13 |
Faixa Bônus - Vídeo Multimidia (Making of das gravações)
|
7m00s
|
|
| |
|
|
|
Ficha Técnica |
 |
|
|
Produzido por Beatriz Azevedo
Arranjos e Direção Musical de Cristóvão Bastos
Engenheiros de Gravação:
Biscoito Fino - Fernando Prado
Engenheiros Assistentes – Gustavo Kreb e Lucas Ariel
Assistente - Vinicius Kede
Candyland e Sea Horse Sound - Michael Leonhart
Forest Sound - Fernando Aponte
Mixado nos Estúdios Mega (SP) por Luis Paulo Serafim
Masterizado na Classic Master (SP) por Carlos Freitas
Projeto Gráfico: Gringo Cardia
Imagens em Nova York: Ale Souza
Fotos em SP: Lenise Pinheiro
Produção Executiva – Aline de Moraes
Agente: Iracema Music Prod
Editora – Acrobeat Music
Publisher – Metisse Music (Europa)
UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO 2008:
Direção Geral – Kati Almeida Braga
Direção Artística – Olivia Hime
Coordenação de Produção – Joana Hime
Assistentes de Produção: Isabel Zagury, Fernando Temporão e Diego Lara
|
![]() |
|
|
|
|