Cantos do Rio
CD celebra a cidade nas vozes de Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Francis Hime, Teresa Cristina, Casuarina, entre outros.
Cantos do Rio reúne canções que possuem o Rio de Janeiro como tema. De Chico Buarque a Caetano Veloso, de Maria Bethânia a Teresa Cristina com o grupo Tira Poeira, o álbum celebra a cidade nas vozes de cariocas de nascimento e adoção, legitimados pela permanente receptividade musical do Rio.
Os Jogos Pan-americanos são o mote de Cidade Maravilhada, registrada pelo Casuarina - formado por João Cavalcanti (vocais), Daniel Montes (violão e arranjo), João Pinheiro (bandolim), Rafael Freire (cavaquinho) e Gabriel Azevedo (percussão e vocais) - especialmente para este disco. Evoca o samba-exaltação, sem fechar os olhos para as desigualdades: “Cidade maravilhada / toma emprestada a força de cada nação / Pan-americana mistura / Congraça uma nova raça / Nas cores da superação”, sugere a letra da canção de Cláudio Picorelli, Julio Moura, Marcito e João Cavalcanti.
Sábado em Copacabana, de Dorival Caymmi e Carlos Guinle, aparece na recente interpretação de Maria Bethânia, para a novela Paraíso Tropical, da TV Globo. Com arranjo de Jaime Alem, Bethânia revisita um Caymmi de alma também carioca, a partir das influências pré-bossa-novistas que o papa da Roma Negra adquiriu no Rio.
Em seguida, Subúrbios, o rasante de Chico Buarque (do álbum “Carioca”, de 2006) sobre a região da cidade que “não tem turistas / não sai nas fotos de revistas” mas, embora menos visível, permanece como alicerce indissociável da identidade carioca.
São ainda de Chico, Morro dois irmãos, gravação de Olivia Hime, no disco Alta Madrugada (1992); e Pivete, parceria com Francis Hime, recriada por Caetano Veloso para o Álbum Musical do maestro, em 1997. O samba chega ao “Maracanã”, com versos de Paulo César Pinheiro. A gravação é do disco Choro Rasgado.
Mart´nália une o universo surfe de Menino do Rio, celebrado por Caetano Veloso, ao lirismo malandro de “Estácio Holly Estácio”, conforme Luiz Melodia consagrou. A faixa é do CD “Menino do Rio”, lançado em 2006, pelo selo Quitanda.
Martinho da Vila e Monarco unem Vila Isabel e Portela para reverenciar Nossa Senhora da Glória, segundo os versos de Hermínio Bello de Carvalho dedicados a Clementina de Jesus, que o poeta conheceu cantando numa taberna no bairro. O arranjo é de Rildo Hora, também autor da música, para o disco “Timoneiro”, comemorativo dos 70 anos de Hermínio (2005).
Gal Costa liga Fala Mangueira (Milton de Oliveira e Mirabeau), a Mangueira (Assis Valente e Zequinha Reis), em mais uma produção de Herminio, “No Tom da Mangueira” (1991). Folhas Secas, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, é recriada pelo Tira Poeira – Samuel de Oliveira (sax), Henri Lentino (bandolim), Sérgio Krakovski (pandeiro), Caio Marcio e Fabio Nin (violões) – com participação de Teresa Cristina no disco de estréia do grupo, em 2003.
Pedalada por Leila Pinheiro, Pela Ciclovia transforma o deserto em oásis num passeio pela orla (do Leme, do Lido, da Barra...), na letra de Jorge Vercilo para o tema de Marcos Valle, do CD “Nos horizontes do mundo”, lançado pela cantora em 2005. Guinga apresenta “Maviosa”, de seu mais novo disco, “Casa de Villa”, lançado em março de 2007. Jards Macalé percorre a mítica Rua Real Grandeza, dos estertores da contracultura, revivida no disco homônimo de Jards, em 2005.
A gravação de Samba do Avião no álbum “Tom inédito” (lançado em 1995 e reconduzido ao catálogo, via Jobim Biscoito Fino, em 2005), completa a coletânea. Braços abertos sobre a Guanabara, Antonio Carlos Jobim é o regente e redentor da música do Rio, em toda a diversidade de seus cantos.
Julio Moura
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