MAYSA – ESTA CHAMA QUE NÃO VAI PASSAR...
CD faz um tributo à Maysa com 20 músicas que marcaram a carreira da compositora e cantora
A obra autêntica e atemporal de uma das mais geniais figuras que a música popular brasileira já teve está no CD Maysa – esta chama que não vai passar..., lançamento da Biscoito Fino, tributo à compositora e intérprete que fez da música de fossa e da dor-de-cotovelo a sua marca. Como explica o escritor Lira Neto, autor da biografia de Maysa recém-lançada, a eterna cantora dos amores frustrados tinha a exata consciência de que, à certa altura, tornara-se refém da própria imagem pública: “Eu embarquei nessa canoa furada e acabei me tornando o que queriam que eu fosse: uma mulher mal-amada”, desabafou certa vez.
Mal ou bem-amada, esta paulista nascida numa família rica e tradicional, casada aos 18 anos com o herdeiro da milionária família Matarazzo, só esperou o nascimento do único filho, o diretor de TV Jayme Monjardim, para cair de corpo e alma na música, que cultivava desde a infância. Como ela própria conta num texto no encarte do disco, seu pai era muito amigo de Sílvio Caldas e Elizeth Cardoso. O próprio Sílvio foi a primeira pessoa a ajudá-la a tocar violão. Com Elizeth aprendeu muito para se tornar cantora. Abriu mão de uma vida familiar estável para seguir sua verdadeira estrada. Em cerca de 50 músicas gravadas, sempre deixou refletir seu estado de alma, sua tristeza e solidão. Nunca conseguiu escrever nada alegre.
Em Maysa – esta chama que não vai passar..., produzido por Thiago Marques Luiz, 21 intérpretes relembram seus maiores sucessos, composições da própria Maysa e de outros compositores que ela eternizou. Ouça, a canção que mais representou a artista e sintetizou sua alma carente e melancólica abre o disco na voz de Alcione. Ney Matogrosso gravou Meu Mundo Caiu, que sempre sonhou cantar. A valsa inédita Nós, de Maysa e Julio Medaglia, cantada uma única vez na televisão por Elizeth Cardoso, é revivida por Célia e Dominguinhos. Alaíde Costa interpreta Demais, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira. Maria Bethânia escolheu Quando Chegares, de Carlos Lyra, por se lembrar da interpretação de Maysa. Bom Dia Tristeza, única parceria de Adoniran Barbosa e Vinicius de Moraes é mostrada em choro-canção por Beth Carvalho. Cauby Peixoto, amigo pessoal de Maysa, faz um registro emocionado de Ne me Quitte Pas, de Jacques Brel. Os versos delicados de Quando a Saudade Vem, da própria Maysa, ganharam emoção precisa na voz de Olivia Hime. Um dos maiores sucessos da primeira fase da carreira de Maysa, Franqueza, de Denis Brean e Osvaldo Guilherme, foi a escolhida por Zélia Duncan. Edson Cordeiro gravou I Love Paris, de Cole Porter. Nego Malandro de Morro, uma das raras incursões de Maysa no gênero samba, ressurge na voz de Fernanda Porto, cantora da nova safra de intérpretes da MPB. O cantor paulistano Carlos Navas transformou a canção Resposta, também de Maysa, num blues.
A verve teatral de Cida Moreira teve um encontro feliz com Adeus, primeira composição de Maysa. Já Até Quem Sabe, de João Donato e Lysias Enio, gravada por Maysa em seu último disco, ganhou liberdade total na voz de Arnaldo Antunes. Bibi Ferreira não escolheu Suas Mãos, de Pernambuco e Antonio Maria, à-toa. Segundo ela, um disco em homenagem à Maysa não estaria completo com o compositor Maria. Raízes, de Denis Brean e Osvaldo Guilherme ganhou voz e arranjo de Leila Pinheiro. Tema de Simone, tema composto por Maysa para sua personagem na novela da TV Globo “O Cafona”, ressurge na voz de Claudette Soares. Zeca Baleiro reverencia Maysa em Por Causa de Você, de Tom Jobim e Dolores Duran. Leny Andrade, em linguagem jazzística, canta Pra Não Mais Voltar, de Ivan Lins e Maysa, canção-tema de abertura da versão original da nova “Sinhá Moça”, da TV Globo, de 1986. Por fim, na voz de Claudya, a canção de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, Morrer de Amor. Maysa gostava tanto desta música que chegou a gravá-la duas vezes.
Como deixa claro o produtor Thiago Marques Luiz no encarte de Maysa – esta chama que não vai passar..., o disco-homenagem foi gravado na primavera de 2006, “contando com a sensibilidade e admiração que todos os artistas têm pela obra autêntica e atemporal de uma das mais geniais figuras que a música popular brasileira já teve”.
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