Nascida há 12 de julho de 1966, no interior de São Paulo, na cidade de Santa Rosa de Viterbo, Simone Guimarães é mais que uma simples cantora. Ela é também compositora e instrumentista e a sua música abrange a toada, o samba-canção, o baião e a balada. Suas influências vão de Heitor Villa-Lobos a Antônio Carlos Jobim, mas talvez a proximidade de sua cidade natal com o estado de Minas Gerais possa explicar porque algumas de suas composições nos fazem pensar mais no estilo musical do Clube da Esquina. Existe certo toque de carro-de-boi e coisas mineiras na sua música. Na verdade, entretanto, a influência mineira na música de Simone vem mesmo de Milton Nascimento. Simone foi aluna na Escola Livre de Música de Milton Nascimento em Belo Horizonte, onde estudou sob a tutela de Juarez Moreira. Sua voz é de uma beleza rara.
Piracema, seu primeiro álbum, partiu da trilha sonora que Simone Guimarães e Paulo Jobim escreveram para o documentário O Canto da Piracema. O termo piracema vem do tupi-guarani e se aplica ao fenômeno da natureza onde os peixes nadam contra a correnteza dos rios quando vão de encontro às nascentes na época da desova. O documentário feito pela EPTV (Emissoras Pioneiras de Televisão), afiliada à Rede Globo, recebeu o prêmio Líbero Badaró na categoria Telejornalismo em 1992. Foi um trabalho científico, artístico e profissional de repercussão marcante. A partir da trilha original, Simone Guimarães gravou então o CD Piracema em 1996. Difícil de ser encontrado por se tratar de um trabalho independente, o CD foi finalmente relançado em 2003.
Neste primeiro trabalho Simone apresenta claramente a sua proposta como nova estrela no cenário da música brasileira. Com composições originais dela própria assim como de outros autores, Piracema esboça a preocupação da cantora e compositora com o ambiente, a natureza e os animais, fatos que estão estampados em muito do que escreve e canta.
Ainda em 1996, Simone Guimarães participou do Songbook Tom Jobim (disco 4), num dueto com Paulo Jobim, em "Pato Preto". Também em 1996, junto com Olmir Stoker "Alemão" e Zeca Ribeiro, ela gravou o disco Cordas Versos Cordas, que permanece inédito.
No seu segundo álbum, o CD Cirandeiro, Simone Guimarães conta com a presença de um time de músicos que inclui, além de Paulo Jobim e Maurício Maestro, as presenças de Leandro Braga (piano), Adriano Giffoni (baixo) e Luiz Brasil (violão e guitarra), entre outros.
Ligada às raízes da música e cultura brasileiras, Simone foi buscar no tema folclórico das cirandas o título deste seu trabalho. A ciranda é uma dança de roda originária de Portugal e que teve no Brasil grande receptividade.
Cirandeiro recebeu duas indicações para o Prêmio Sharp em 1997, nas categorias “melhor cantora” e “melhor arranjo”.
A artista chamou a atenção de muita gente boa na música brasileira. Em Aguapé, seu terceiro álbum, ela contou com as participações vocais de Zé Renato, na faixa que dá título ao CD, e ainda com Danilo Caymmi, Elba Ramalho, Ivan Lins e Maurício Maestro. Outros músicos presentes incluem Leandro Braga (piano), Adriano Giffoni (baixo), Luiz Brasil (violão) e Beto Cazes (percussão). Das doze músicas do álbum, Simone Guimarães, em parceria com Cristina Saraiva, assina cinco faixas, e Simone ainda divide outra faixa com Juarez Machado. O balanço do repertório e arranjos é impecável.
Após Aguapé, Simone Guimarães participou do Songbook Chico Buarque (disco 8), em 1999, na faixa "Desencontro" (de Toquinho e Chico Buarque), com Hélio Delmiro ao violão. No final deste mesmo ano, faz uma participação especial no lançamento natalino de Ivan Lins, Um Novo Tempo. Em dueto com Ivan Lins, ela cantou a faixa "Ô de Casa", de sua autoria com Sérgio Natureza. Outra participação sua foi no excelente trabalho de Ione Papas, Noel por Ione, em 2000. Neste álbum, Simone cantou juntamente com Ione a canção "Coração (Samba Anatômico)". A entrada da voz de Simone é de arrepiar!
Se Cirandeiro foi o álbum que chamou a atenção da crítica e Aguapé firmou seu nome dentre os outros artistas da música brasileira, Virada prá Lua é então a celebração da carreira desta grande força chamada Simone Guimarães. Aqui ela inaugura novas parcerias e vemos emergir também seu talento como excelente letrista. Os músicos que participaram de Virada prá Lua incluem parceiros antigos como Leandro Braga (piano) e apresentam também João Lyra (violão), Marcelo Gonçalves (violão de 7 cordas), Pedro Amorim (bandolim), Zé Nogueira (sax soprano), Guinga (violão) e outros do mesmo calibre. Talvez, o maior presente, tanto para Simone, como para seus fãs foi o dueto com Milton Nascimento na faixa "Imagem e Semelhança".
Depois de Virada prá Lua, Simone Guimarães fez participações especiais em lançamentos de outros artistas. Em 2001, ela cantou em Brasileira, disco de Kátia Rocha, na faixa "Tez" (Sérgio Natureza - Simone Guimarães). Também em três faixas de Primeiro Olhar, CD de Cristina Saraiva: foram "Laranjeiras" (de Cirandeiro), "Relento" e "Hermanos" (de Aguapé). Em 2002, ela participou em três faixas do CD de Keco Brandão, Tatanka. Foram elas: "Madre Tierra", "Oh! Grande Espírito" - ambas cantos cerimoniais Xamãs - e "Caminho Vermelho" (de Keco Brandão).
Finalmente, em 2002, fez sua grande participação no álbum de Milton Nascimento, Pietá, onde cantou três canções com seu ídolo: "Beleza e Canção" (Milton Nascimento/ Fernando Brant), "Boa Noite" (Milton Nascimento /Chico Amaral) e "Vozes do Vento" (Kiko Continentino /Milton Nascimento).
Casa de Oceano, o quinto trabalho solo de Simone Guimarães, marca sua estréia em uma nova gravadora, a Biscoito Fino. O conceito deste álbum pode ser resumido na frase escolhida por Simone na dedicação apresentada no encarte do CD. Ela cita Lautréamont: "Eu te saúdo, velho oceano!" Trata-se, portanto, de um trabalho temático, no qual a água ocupa um lugar de destaque na maioria das canções aqui apresentadas. Das quinze canções do CD, nada menos que seis delas falam de rios, oceanos, mares, cachoeiras, peixes e sereias. A água serve de fonte principal para envolver amores, aproximar corações e esconder mistérios. Além destas, outras três canções retomam ainda outro tema favorito no cancioneiro de Simone: o vasto sertão, onde novos amores florescem. É óbvio que o amor se faz muito presente dentro destes temas.
Ainda em 2003, Simone Guimarães também fez uma participação no álbum Villaggio Café - 10 Anos, onde interpretou "Desenredo", de Dori Caymmi. Ela também gravou duas músicas no novo lançamento de Cristina Saraiva, Só Canção. São elas: "Mestre Narciso" e "Beijo", ambas de Simone Guimarães e Cristina Saraiva. A artista também participou do 6º comPasso Samba & Choro (2003) acompanhada por Juarez Machado (violão) com as canções: "Zomba" (de Casa de Oceano), "Imensidade" (de Virada prá Lua) e a inédita "Rosa Querida".
Agora em 2007, Simone lançou seu mais novo CD pela Biscoito Fino, “Flor de pão”, em comemoração aos seus 10 anos de carreira fonográfica. A cantora é presenteada pelas participações de Milton Nascimento, Guinga, Francis Hime, Leila Pinheiro, Toninho Horta, Dory Caymmi, Renato Brás, Trio Sinhá, Aline Germani e Antônio Carlos Bigonha.
A música “Carta à Amiga Poeta”, de sua autoria em parceria com Francis Hime, é uma das cinco indicadas na categoria “Melhor Canção Brasileira” da 8ª edição do “Grammy Latino”.
|