Sivuca Sinfônico
Maestro e acordeonista recria sua obra em caráter erudito, à frente da Orquestra Sinfônica de Recife, com regência de Osman Giuseppe Gioia.
Nem todos os nomes consagrados da música popular resistem a uma leitura erudita de suas obras. Mestres como Jobim, Pixinguinha e Luiz Gonzaga, por exemplo, têm suas criações constantemente revisitadas na esfera erudita por conjugarem música de alto nível à facilidade em dialogar com diferentes camadas da população, o que grandes autores da música de concerto jamais sonhariam.
Que dizer de Sivuca, nascido Severino Dias de Oliveira, em 1930, em Itabaiana, Paraíba, cuja obra, seja como instrumentista ou compositor, ajudou a alçar a música nordestina ao ambiente das salas de concerto com a mesma espontaneidade com que esta perpetuou-se nos pés-de-serra e nas feiras de mangaio espalhadas pelas diversas regiões do país?
O novo álbum do maestro, arranjador e acordeonista, Sivuca Sinfônico (Biscoito Fino), à frente da Orquestra Sinfônica de Recife, sob a regência do maestro Osman Giuseppe Gioia, apresenta sete faixas que expressam fielmente este elo. Da Rapsódia Gonzaguiana, abrindo os trabalhos somente com temas do Rei do Baião – Juazeiro, Boiadeiro, Assum preto, A volta da Asa Branca – até o “Concerto Sinfônico para Asa Branca”, que encerra o disco, Sivuca explicita sua dedicação filial à obra e à influência de Luiz Gonzaga.
O instrumentista, definido pela escritora Nélida Piñon como um ser ambíguo, senhor de múltiplas naturezas, interpreta o intrincado Moto Perpétuo, de Paganini, com a igual legitimidade com que revisita um choro do virtuoso bandolinista Luperce Miranda – “Quando me lembro” – e criações de sua própria lavra, como a semi-erudita Aquariana ou as popularíssimas João e Maria (valsa dele e de Chico Buarque) e Feira de Mangaio, parceria com sua Glorinha Gadelha.
Fundada em 1930, com o nome de Orquestra Sinfônica da Sociedade de Concertos Populares, a Orquestra Sinfônica do Recife tornou-se uma das mais importantes do país, nas últimas décadas. Regente da OSR desde 2001, Osman Giuseppe Gioia tem proporcionado intensa visibilidade à orquestra, sobretudo através de concertos populares, intensificados desde que Gioia assumiu sua direção artística. Natural do Rio de Janeiro, Gioia foi diretor da Orquestra Sinfônica da Paraíba, de 1996 a 2000.
O álbum Sivuca Sinfônico foi gravado no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, entre os dias 21 e 26 de agosto de 2004.
Julio Moura
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