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Apresentação |
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TECNOMACUMBA
por Caetano Veloso
Faz algum tempo que venho ouvindo com curiosidade e agrado uma voz de mulher que impressiona pela firmeza, pela limpeza do som, pela naturalidade da afinação. É uma voz que ouvi primeiro casualmente no rádio do carro e que sempre me fez parar para atentar e me perguntar: quem é essa cantora que tem a emissão lisa (sem vibratos) mais impressionante que ouvi em muito tempo? De quem é essa voz encorpada e delicada, de quem são esses glissandos seguros e de grande efeito experimental sem sombra de vulgaridade?
Aprendi o nome de Rita Ribeiro ao encontrar as respostas a essas perguntas. Agora, em parte num movimento de buscar usos significativos para suas invenções vocais, Rita desenvolveu esse projeto a que deu o nome de Tecnomacumba. Os cantos e toques das religiões afro-brasileiras e sua sintonia com os ritmos desenvolvidos no uso de instrumentos eletrônicos. O resultado é rico, honesto e sugestivo.
O disco é um produto de nível profissional impecável, uma prova de que o Brasil anda com as próprias pernas. As combinações rítmicas e timbrísticas das programações eletrônicas com os instrumentos tocados por gente são equilibradas.
O repertório é uma antologia de composições sobre o tema das religiões africanas no Brasil - sempre emolduradas por cantos saídos diretamente dessas práticas religiosas. Às vezes somos levados a nos perguntar coisas como, por exemplo, se o canto sobre Tempo ecoa as lavadeiras de Monsueto ou se o samba de Monsueto é que foi tirado daquele canto. Assim, há um rendado de motivos, uma rede de lembranças e referências que dão uma textura interna especial ao trabalho. O resultado fica mais para um pop elegante, em que uma boa banda de acompanhamento é temperada por sons tecno, do que para um mergulho radical no mundo dos batuques e da eletrônica. Mais uma vez, o que ressalta é a voz de Rita, sua segurança simpática (isso não é fácil nem freqüente), seu timbre cheio, seus ornamentos chiques porque personalíssimos, sua nobreza maranhense. Esse disco tem um futuro intrigante e pode vir a dizer mais do que parece agora. Vamos ouvir e esperar.
Caetano Veloso
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Faixas |
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| 01 |
Saudação - Abertura (Rita Ribeiro / Jongui)
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5m32s
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| 02 |
Domingo 23 (Jorge Benjor)
compre em mp3
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5m19s
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| 03 |
Cavaleiro de Aruanda (Tony Osanah)
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4m52s
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| 04 |
Babá Alapalá (Gilberto Gil)
compre em mp3
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4m55s
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| 05 |
Oração do Tempo (Caetano Veloso)
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5m44s
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| 06 |
A deusa dos Orixás (Toninho / Romildo)
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4m03s
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| 07 |
Iansã (Caetano Veloso / Gilberto Gil)
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3m37s
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| 08 |
Rainha do Mar (Dorival Caymmi)
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3m57s
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| 09 |
É d´Oxum (Gerônimo / Vevé Calazans)
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5m22s
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| 10 |
Coisa da Antiga (Wilson Moreira / Nei Lopes)
compre em mp3
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4m05s
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| 11 |
Cocada (Antonio Vieira)
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4m26s
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| 12 |
Jurema (Rita Ribeiro)
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4m55s
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| 13 |
Tambor de Crioula (Junior / Oberdan Oliveira)
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3m33s
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| 14 |
Canto para Oxalá (Rita Ribeiro)
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2m22s
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Ficha Técnica |
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Coordenação Geral: Elza Ribeiro
Produzido por Israel Dantas e Rita Ribeiro
Gravado e Mixado por Duda Mello
Masteriazado por Luis Tornaghi
Produção Executiva: Elza Ribeiro e Steve Altit
Assistente de Produção: Fernanda Botter
Assistente de Gravação: Hamilton Rodrigues e Rui Ferreira
Capa & Design Gráfico: Fernanda Botter
Fotos: Emir Penna e Márcio Vasconcellos
Produção Figurino, cabelo e maquiagem: Edílson Ferreira
BISCOITO FINO
Direção Geral: Kati Almeida Braga;
Direção Artística: Olivia Hime;
Produção: Pedro Seiler;
Assitente de Produção: Renata Mader
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