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Dois Panos Para Manga CD
João Donato - Paulo Moura
R$ 33,90 

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Apresentação
Faixas
Entrevista
Ficha Técnica
Apresentação

Álbum reúne músicas dos anos 30 aos 50, interpretados por dois dos maiores mestres da música instrumental brasileira, além de dois temas inéditos

Foi numa festa na casa do diretor de TV, Carlos Manga, que João Donato e Paulo Moura decidiram se unir para gravar, pela primeira vez um disco, em duo. Era aniversário do diretor e, entre uma dose e outra de uísque, o anfitrião sugeriu a dupla que interpretasse alguns dos temas que os freqüentadores do Sinatra-Farney Fã Club degustavam em suas célebres audições na década de 50. Ali, nas lojas Murray, no centro do Rio, costumavam se reunir músicos e admiradores do samba e do jazz em encontros considerados por muitos como o próprio embrião da Bossa-Nova.

Inspirados por tantas lembranças, Donato e Moura desfilaram, durante horas, para um grupo de seletíssimos convidados, algumas das músicas mais marcantes daquelas audições antológicas. É justamente esta a base do repertório de Dois Panos Para Manga, a partir da memória afetiva de João e Paulo, com uma mãozinha do diretor homenageado no título. “Manga chegou a cantar, com voz de tenor, enquanto tocávamos nossas músicas preferidas daquele período. E até improvisou uma direção na hora”, diverte-se Donato. “O Carlos Manga era o presidente do Sinatra-Farney. Sem ele, nada acontecia”, lembra Moura.

A interação entre os músicos e o repertório era tanta, que o álbum foi gravado em menos de uma semana, em fevereiro deste ano, no estúdio AR, no Rio, somente com a clarineta de Paulo e o piano de Donato. O repertório inclui sete standards, além de dois temas – Pixinguinha no Arpoador e Sopapo - compostos pela dupla, especialmente para o disco. Dentre os clássicos do jazz – especialidade do fã clube – estão On a Slow Boat to China (Frank Loesser); Swanee (George e Ira Gershwin); That Old Black Magic (Harold Arlen e Johnny Mercer), em homenagem a Frank Sinatra; e Tenderly (Walter Gross e Jack Lawrence), um dos maiores sucessos de Nat King Cole.

Do repertório brasileiro, há duas recriações de Braguinha, o João de Barro, sucessos dos anos 40: A Saudade Mata a Gente, em parceria com Antonio Almeida, e Copacabana, feita com Alberto Ribeiro; além de Minha saudade, parceria de Donato com João Gilberto, que possui um significado especial para Paulo: “Esta foi a primeira música com forma de Bossa-Nova que conheci. Gravei-a em meu disco de estréia, foi provavelmente a primeira gravação da música”, conta Paulo.

As músicas inéditas, compostas a partir do encontro na casa de Manga (não por acaso localizada à rua Dick Farney, na Barra da Tijuca), são influenciadas do repertório em questão. Pixinguinha no Arpoador possui citações de temas conhecidos da música brasileira e internacional: “A inspiração surgiu quando nos encontramos na casa do Paulo e eu fiz uns acordes. Ele perguntou o que era, eu disse que nada, mas eram as primeiras notas de Carinhoso. Saímos tocando, até que virou um samba-canção parecido também com La vie em rose”, destrincha Donato.

Sopapo foi criada no mesmo dia e batizada pelo clarinetista: “Sopapo é o nome de um tambor da região de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que me foi presenteado pelo percussionista Giba-Giba”. Coincidência ou não, Pelotas é a terra natal de Ivone Belém, esposa de João, que assina a produção executiva do disco, junto com Halina Grymberg, mulher de Paulo: “É um tema cheio de alegria, qualquer criança entende. Além disso, de todas as emoções a alegria ainda é a minha favorita” – elege Donato.
Faixas
01 A Saudade Mata a Gente (Antônio Almeida / João de Barro)
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  5m16s
02 On a Slow Boat to China (Frank Loesser) 5m01s
03 Swanee (George Gershwin / Ira Gershwin) 4m31s
04 Copacabana (João de Barro / Alberto Ribeiro)
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5m37s
05 Tenderly (Walter Gross / Jack Lawrence) 4m33s
06 That Old Black Magic (Harold Arlen / Johnny Mercer)   4m36s
07 Minha Saudade (João Donato / João Gilberto) 7m56s
08 Pixinguinha no Arpoador (João Donato / Paulo Moura) 4m36s
09 Sopapo (João Donato / Paulo Moura) 5m56s
Entrevista
CORTE E COSTURA

Paulo Moura - Escolhemos as músicas, Donato e eu, puxando da memória aquelas que mais eram tocadas nas jam sessions que o Sinatra-Farney Fã Clube produziu nos anos 50. Recordo muito de um show no antigo Cassino Atlântico, onde os artistas se apresentavam em quadros e tinha aquela dança extravagante da época, o jitterbug. Um dos quadros era com Al Johnson cantando Swanee, que acabou entrando no nosso repertório. Outro era uma homenagem ao Frank Sinatra, That Old Black Magic, cantada por outro integrante do Sinatra- Farney, o Luiz Carlos.

João Donato - Essas lembranças chegavam e nós fomos tocando. Além de outras que eram agradáveis aos nossos ouvidos, como Copacabana, A Saudade Mata a Gentee Tenderly.

P. M. - E assim fomos compondo o repertório. Uma música que talvez tenha sido a primeira música com a forma de bossa nova que eu conheci, foi Minha Saudade, do Donato e João Gilberto. Eu a gravei no meu primeiro disco - foi provavelmente a primeira gravação desta música.

J. D. - Tem também as nossas novas invenções: Sopapo e Pixinguinha no Arpoador. O título Pixinguinha no Arpoador é do Paulo e a inspiração surgiu das primeiras notas de Carinhoso. Quando nos encontramos na casa do Paulo, eu fiz uns acordes - la la la ri - e o Paulo falou: "o que é isso?". Eu disse que não era nada, mas eram as primeiras notas do Carinhoso. Saímos tocando, até que virou um samba-canção parecido com Carinhoso(risos) e com La Vie en Rose.

P. M. - Mas Pixinguinha no Arpoador me diz muito porque já há algum tempo eu estava tentando encontrar uma maneira de tocar com Donato. Um amigo em comum perguntou por mim ao Donato e ele respondeu: "o Paulo está no chorinho". Aí um dia desses eu encontrei o Donatinho (filho de João) num show e mandei um recado: "diz pro Donato que eu não toco só chorinho, não". Então, quando nos encontramos, a música acabou saindo porque talvez essa idéia já estivesse no ar. E Sopapo foi quando você estava indo embora da minha casa, depois daquele primeiro encontro.

J. D. - É, tinha aquele tambor de Pelotas e eu fiquei batucando e ele tocando. Saímos fazendo uma música que o Paulo batizou de Sopapo.

P. M. - Sopapo é o nome de um tambor daquela região do Rio Grande do Sul, o qual me presenteou o percussionista Giba-Giba.


SINATRA-FARNEY FÃ CLUBE

P. M. - Morávamos próximos, na Tijuca. A primeira vez que encontrei o Donato eu estava tocando num baile, no Flamengo, domingo, na orquestra do El Cubanito. O Donato e mais dois amigos entraram no finalzinho, enquanto eu esperava o pagamento. Então ele foi ao piano e tocou uns acordes e eu fiquei impressionado: aquilo não se fazia. Isso aconteceu mais ou menos no final dos anos 50.

J. D. - Conversamos ali mesmo, trocamos idéias, ficamos sabendo que morávamos no mesmo bairro.

P. M. - Lembro de ter visto o Donato no Sinatra-Farney, depois ele me convidou para tocar no seu primeiro disco, o Chá Dançante - João Donato e seu Conjunto, de 1956. Foi a continuação do nosso encontro.

J. D. - A gente não parou mais de se encontrar.

P. M. - Começamos a tocar no piano da alfaiataria do meu irmão Alberico, onde eu aprendia o ofício de alfaiate. Na época, eu tocava saxofone. Nós acompanhávamos o desenvolvimento do jazz.

J. D. - Gostávamos de ouvir músicas de jazz, tocar nas jam sessions.

P. M. - Em seguida começamos a ensaiar um grupo com dois saxofones, trompete, trombone e piano. Eu e o Bebeto no saxofone, o Bill Horne no trompete, o João Luís no trombone, o Everardo Castro na bateria, o Marinho no baixo e o Donato no piano. Levamos esse grupo para concertos e festivais de jazz no Rio e em São Paulo.

J. D. - Aí os trabalhos começaram a aparecer, começamos a gravar e o tempo a diminuir.


REENCONTRO

J. D. - Fomos nos encontrar de novo numa gravação de Gaiolas Abertas, uma parceria com Martinho da Vila, em seu disco Verso e Reverso (1982). E na gravação de uma trilha de filme (risos): tinha um acorde que era dó maior, eu fiz uma outra coisa, um acorde errado. E o Paulo disse: "ah, então tá bom."

P. M. - A música era em dó maior. E você terminou a música em dó menor. Mas os estudiosos de música dizem que essa coisa de dó maior e dó menor não existe mais. Os dois podem conviver juntos. (risos)

J. D. - Por último, em janeiro de 2006, na casa do Carlos Manga.

P. M. - Chegamos lá para o aniversário do Manga e achei que seria uma boa oportunidade para a gente voltar a tocar junto. Levei o instrumento. Ainda pensei: será que levo ou não levo? No primeiro momento, não sabia que o Donato também tinha sido convidado. Quando soube, resolvi levar a clarineta, pois sabia que tinha piano na casa.

J. D. - Tocamos com tanto entusiasmo que a Halina veio com essa idéia de fazer o disco, e a Ivone se animou. Enfim, desse encontro na casa do Manga surgiu o CD.

P. M. - O Carlos Manga era o presidente do Sinatra-Farney Fã Clube. Sem ele nada acontecia.

J. D. - Ele agregava todos. Naquela época, conseguir discos de jazz era muito difícil. Se alguém arranjava um disco do Chet Baker, ele reunia todo mundo para ouvir. O clube tinha carteirinha e os sócios pagavam mensalidade.

P. M. - Lembro de uma jam session na casa do Carlos Manga. Ele morava numa casa bonita, na Conde de Bonfim, acho que era uma casa meio rosa. Ele convidou músicos do Copacabana Palace, o Zacarias, o Romeu. No baixo tava o Juvenal. Nos ensaios ele era bastante firme, tomava decisões com muita segurança. Já na época ele tinha muito talento para dirigir e bolar os shows.

Entrevista por Ivone Belem, gravada em 8 de abril de 2006, no Rio de Janeiro.
Ficha Técnica
Piano: João Donato
Clarineta: Paulo Moura

Produzido por João Donato e Paulo Moura
Gravado entre os dias 7 e 11 de fevereiro de 2006, no AR Studios (Rio de Janeiro), por Marcelo Sabóia; assistente de gravação:Bruno Stehling.
Mixado e masterizado na Visom Digital (Rio de Janeiro) por Luiz Tornaghi.

Projeto gráfico: André Vallias
Fotos: Joaquim Nabuco.

Produção executiva: Halina Grynberg e Ivone Belem
Concepção: Halina Grynberg
Entrevista: Ivone Belem

UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO

Direção geral: Kati Almeida Braga
Direção artística: Olivia Hime
Gerência de produção: Pedro Seiler
Assistente de produção: Renata Mader

www.joaodonato.com.br
www.paulomoura.com.br

www.biscoitofino.com.br
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