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Apresentação |
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Sambista estréia no selo Quelé, com inéditas de sua autoria e raridades de Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti e Ismael Silva
Bem que a música brasileira merecia um novo disco de Elton Medeiros. Um dos grandes sambistas de todos os tempos, em plena forma aos 75 anos, Elton apresenta um punhado de composições inéditas, dele e de outros mestres do estilo. Produzido por Luciana Rabello, “Bem que Mereci” é o quinto lançamento do selo Quelé, uma parceria da Biscoito Fino com a Acari Records, especializada no mais brasileiro dos gêneros musicais – o samba.
Elton Medeiros alinhava onze sambas de sua autoria e músicas pouco conhecidas de quatro pilares da Mangueira, da Portela e do Estácio. De Ismael Silva, cujo centenário é celebrado em 2005, Elton revela Não Avance o Sinal, em versos e cadência típicos do fundador da primeira escola-de-samba: “Não avance o sinal / faça o favor / para mim seu ideal não tem valor / Não preciso de você / quantos beijos eu quiser / tenho em casa quem me dê”.
Do portelense Zé Kéti, Elton recria Vestido de Tubinho, de ritmo sincopado e poesia temperada com malícia e malandragem: “A nega mandou fazer / um tal de vestido tubinho / e mandou pintar a óleo / uma flor na altura da barriga / (...) os homens hoje em dia / levam tudo na maldade / vão olhar pra flor da nega / e a flor vai virar saudade”.
Com andamento cadenciado e melodia puxada para o samba-canção, Partiu revela um Cartola desconhecido mas perfeitamente identificável, da época em que Elton surgiu nas rodas do Zicartola. “É o teu retrato / Essa nódoa é o símbolo da consolação / E a ela sempre pergunto se voltas ou não”, Elton canta os versos de seu parceiro em O Sol Nascerá, sob o violão de Mauricio Carrilho e o tamborim de Celsinho Silva.
A filosofia de Nelson Cavaquinho se imprime em Lavo Minhas Mãos, mais uma das inúmeras citações bíblicas transportadas para o mundo do samba: “Deus é quem tem o direito de castigar / não me vingo de ti para não pecar / (...) nunca mais beijarei os lábios teus”.
Na parte autoral do repertório, Elton encontra em cada parceiro um viés para os diversos caminhos de seu samba. Feita com Paulinho da Viola, Dívidas paga tributo a uma das mais completas duplas do gênero, crônica da gente que tem o batuque por privilégio, driblando as agruras do cotidiano ao relatar com elegância uma confusão daquelas: “Disse tudo o que sentia / sem medir as conseqüências / num bate-boca danado / diante do barracão”.
Bem que Mereci também com Paulinho, é metáfora do amor que se estende aos que acendem a chama do samba: “Carreguei por causa dela / uma cruz que não podia / nem mesmo assim a fantasia / desse sonho me abandonou”. Sentido semelhante em Tesouro Guardado, parceria com o violonista Cláudio Jorge: “Tesouro guardado / por mim cobiçado / semente de uma paixão / tesouro querido / por mim perseguido / plantado em meu coração”.
Flertando com o samba do recôncavo, Elton mostra sua parceria com Roque Ferreira, autor do mega sucesso Samba pras Moças e que teve seu primeiro disco lançado pelo selo Quelé em 2004. O resultado é a irresistível Demorou: “A gente estava junto / mas não estava misturado / E o amor que não mistura / não dá caldo temperado”, com arranjo de Paulão 7 Cordas.
Antigas Lembranças e Amanhecer apresentam respectivamente o poeta Antonio Valente (“Não ouça tanto o Chico / e as suas donzelas / olhando da janela / a vida passar) e o músico Dino Galvão Bueno, que inspirou os versos de Elton: “Minha canção se fez / pra dizer que não chorei em vão / transformei prantos em afeição”, com arranjo de Gilson Peranzetta, assim como Mundo, letrada por Eduardo Gudin.
Dentre as parcerias com Carlinhos Vergueiro, Relaxa destila malemolente ironia, com arranjo de Afonso Machado: “Quem veio à vida a passeio / só faz o que quer / só sai quando o vento anuncia uma boa maré / se um dia esse tipo de gente / cruzar seu caminho também / relaxa e goza meu bem”. Já Tá Bem Mulher, arranjada por Cristóvão Bastos, flagra o amante arrependido: “Nem a você uma explicação / por isso agora voltei / para pedir perdão”.
Velha Poeira reúne o violonista Luiz Moura e o poeta Paulo César Pinheiro (“Rosa despetalada / (...) o tempo amarelou / mas a flor deixa semente / e a rosa ardente / em mim novamente desabrochou), enquanto Senador, letra e música de Elton, situa o malandro na comunidade: “Cravo branco na Lapela / Lá vai ele junto dela / ver o samba da Portela / em Oswaldo Cruz”. O samba de Elton Medeiros é o bem que todos merecemos.
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Faixas |
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| 01 |
Velha Poeira
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3m32s
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| 02 |
Antigas Lembranças
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3m48s
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| 03 |
Relaxa
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3m37s
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| 04 |
Lavo Minhas Mãos
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3m47s
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| 05 |
Bem que Mereci
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3m57s
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| 06 |
Tesouro Guardado
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3m27s
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| 07 |
Vestido Tubinho
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2m20s
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| 08 |
Não Avance o Sinal
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2m34s
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| 09 |
Dívidas
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5m11s
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| 10 |
Partiu
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3m23s
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| 11 |
Mundo
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4m14s
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| 12 |
Tá Bem, Mulher
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4m06s
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| 13 |
Amanhecer
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4m12s
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| 14 |
Senador
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4m00s
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| 15 |
Demorou
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4m55s
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Ficha Técnica |
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Produção artística e executiva - Luciana Rabello
Assistente de produção - César Carrilho
Técnico de gravação - Amaro Moço
Mixagem - Maurício Carrilho e Amaro Moço
Masterização - Alexandre Hang
Design gráfico - Anderson Araujo
Fotografias - Silvana Marques
Gerência de produção - Martinho Filho
QUELÉ - UM SELO DA PARCERIA ACARI RECORDS E BISCOITO FINO
Direção geral - Luciana Rabello, Olivia Hime, Kati Almeida Braga e Maurício Carrilho |
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