
Alfredo e Pedro Paulo são dois sujeitos que cantam com inteligência. Com vinte e poucos anos de idade, possuem aquela fome insaciável de saber que diferencia os bambas dos medíocres. Sabem mais samba do que quase todos os veteranos que andam por aí, mas nunca de dão por satisfeitos.
O repertório deste CD mostra o olhar atento de ambos, não só à obra de mestres do passado, de onde pinçaram algumas jóias inéditas, mas também à produção contemporânea de samba. O trabalho de Alfredo e Pedro Paulo devolve à música brasileira a dupla de cantores de samba, instituição quase extinta, que nos anos 60, com Cyro Monteiro e Dilermando Pinheiro, tinha dado seu último lampejo de arte. Na ocasião, Sérgio Porto definiu, com sua sabedoria, a importância das duplas: “...o samba pode ser cantado de várias maneiras: improvisado ou em coro. Houve sambistas de peito forte e os sambistas de nariz, o cantor chorando e a dupla. Esta, uma das formas mais ricas de se cantar o samba, mais malandra, mais generosa...”
E mais não precisa ser dito.
MAURÍCIO CARRILHO |